inflação

Dólar dispara e aumenta risco de alta no preço do combustível no Brasil

A disparada da moeda americana pressiona os custos de importação e acende o alerta para reajustes nas refinarias

Dólar dispara e aumenta risco de alta no preço do combustível no Brasil - Canva
Dólar dispara e aumenta risco de alta no preço do combustível no Brasil – Canva

A forte valorização do dólar registrada no primeiro pregão após o segundo turno das eleições presidenciais elevou a pressão sobre o preço do combustível no país. Na segunda-feira (26), a moeda americana registrou expressiva alta, superando a marca de R$ 5,60 — um avanço de cerca de 12% em comparação aos R$ 4,99 do fechamento de sexta-feira (23). O movimento reflete o ajuste das expectativas do mercado financeiro em relação à condução da política econômica e fiscal no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como o petróleo e seus derivados são cotados internacionalmente em moeda estrangeira, a desvalorização do real encarece diretamente a importação dos insumos.

O impacto cambial sobre a cotação do combustível e as refinarias

Apesar da reação do mercado, especialistas reforçam que o reflexo final nas bombas depende de diferentes variáveis operacionais. A economista Tatiana Goes, da Silo Multi Family Office, explicou a mecânica por trás desse cenário. “O resultado eleitoral não encarece diretamente o combustível. O que importa é como a reação do mercado afeta o câmbio, os custos de importação e as expectativas”. Segundo ela, a duração do patamar elevado do câmbio e as decisões das refinarias serão determinantes para eventuais repasses. O óleo diesel surge como o item mais vulnerável no momento devido à dependência brasileira de importações para suprir a demanda interna, o que amplia o risco de inflação no transporte de cargas e nos alimentos.

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Mecanismos de contenção e o papel da Petrobras

Para mitigar o impacto imediato no consumidor, o Governo Federal, por meio do Ministério do Planejamento, anunciou a renovação por mais 30 dias da subvenção de R$ 2,12 por litro do óleo diesel, financiada por receitas extraordinárias do próprio setor. Antes mesmo do pleito, levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), divulgado em 23 de outubro, já apontava que a defasagem média do diesel comercializado pela Petrobras atingia R$ 3,53 por litro — equivalente a 108% em relação à referência de importação. Embora a estatal utilize desde 2023 uma política comercial que suaviza as oscilações internacionais, o coordenador do curso de Ciências Econômicas do Centro Universitário Ibmec BH, Ari Francisco de Araujo Junior, faz um alerta. “Se a defasagem entre preços domésticos e internacionais ficar elevada e persistente, a estratégia tende a se tornar economicamente difícil de sustentar”.

Mesmo que a existência de uma defasagem não garanta reajustes automáticos nas próximas semanas, a sustentabilidade da contenção de preços exige cautela. O uso de estoques antigos e a compressão das margens da distribuição ajudam a adiar o repasse nas bombas no curto prazo. Contudo, se a cotação do dólar permanecer em patamares elevados, a margem de manobra das refinarias diminui progressivamente. A evolução do cenário cambial nos próximos dias será decisiva para definir se o consumidor sentirá o peso dos novos custos na hora de abastecer.

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