política monetária

Alckmin defende medir inflação sem alimentos e energia

Geraldo Alckmin sugeriu que o Banco Central avalie a exclusão dos preços de alimentos e energia do cálculo oficial da inflação.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) – Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, sugeriu nesta segunda-feira (24), que o Banco Central avalie a exclusão dos preços de alimentos e energia do cálculo oficial da inflação. Segundo ele, esse modelo seria mais eficaz para definir a política monetária.

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“Não adianta eu aumentar os juros, porque não vai fazer chover, eu só vou prejudicar a economia. E no caso do Brasil, pior ainda, porque aumenta a dívida pública”, afirmou o vice, durante evento promovido pelo jornal Valor Econômico, em São Paulo.

Ele destacou que a elevação dos juros precisa ser aplicada de forma estratégica, concentrada em áreas que realmente influenciem no controle inflacionário. “Eu acho que é uma medida inteligente a gente realmente aumentar o juro naquilo que pode ter mais efetividade na redução da inflação”, disse. “Entendo sim que é uma medida que deve ser estudada pelo Banco Central brasileiro.”

O que muda ao excluir alimentos e energia da conta?

Alckmin fez referência ao modelo adotado pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, como exemplo. Ele apontou que, apesar de a autoridade monetária norte-americana trabalhar com uma meta de inflação de 2% pelo índice de preços ao consumidor PCE, ela utiliza como base os chamados “núcleos” — que desconsideram componentes mais instáveis, como alimentos e combustíveis.

Ainda assim, nos Estados Unidos, o parâmetro oficial é a inflação cheia, e não apenas os núcleos. A proposta defendida pelo vice brasileiro vai além: “Não adianta aumentar juros que não vai baixar o preço do barril de petróleo”, observou.

No momento, Alckmin responde pela Presidência da República durante a viagem oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Ásia. Segundo ele, alimentos sofrem grande influência do clima, o que compromete a eficácia da política de juros. “Eu mencionei o exemplo americano porque ele tira do cálculo da inflação alimento, porque alimento é muito clima”, explicou.

A taxa Selic, atualmente fixada em 14,25%, também foi alvo de crítica. Para Alckmin, o patamar elevado prejudica a recuperação econômica, embora reconheça a importância de manter a inflação sob controle. A perspectiva, de acordo com o vice-presidente, é de que os preços dos alimentos recuem ao longo do ano, impulsionados por uma safra mais favorável. A agricultura, acrescentou, deve contribuir para elevar o Produto Interno Bruto (PIB) em 2025. “Um empurrão”, resumiu.

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