Mulher argentina se livra do HIV sem tratamento

Teste realizado em mais de 1 bilhão de células em mulher como vírus do HIV não foi encontrado em seu sistema imunológico

Mulher argentina se livra do HIV sem tratamento e anima cientistas
Uma mulher argentina de 30 anos conseguiu se livrar do HIV sem precisar de tratamento (Créditos: Cesar Brustolin/SMCS)

Uma mulher argentina de 30 anos se livrou do HIV sem precisar de tratamentos ou intervenção de medicamentos, sendo esse apenas o segundo caso registrado no mundo. Os médicos disseram que o sistema imunológico da paciente eliminou o vírus da Aids por conta própria.

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Testes em mais de 1 bilhão de suas células não encontraram nenhum traço viável da infecção, segundo a revista científica Archives of Internal Medicine.

Se esse processo pudesse ser controlado, seria possível oferecer uma maneira de eliminar ou curar efetivamente o HIV, dizem os especialistas.

Essas descobertas são mais uma prova de que existem algumas pessoas que nascem com resistência natural ao HIV. Segundo especialistas, algumas têm genes que evitam a infecção.

Outros, incluindo “a paciente Esperanza”, que prefere continuar anônima, parecem contrair, mas eliminam o vírus logo depois.

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Mas a maioria das pessoas com HIV precisa de terapia antirretroviral (TARV) para o resto da vida. Se elas pararem de tomar os remédios, o vírus “inativo” pode despertar e vir a causar problemas novamente.

Houve relatos, nos últimos anos, de “controladores de elite” que podem suprimir o vírus, com ajuda, mas sem precisar da medicação para o HIV.

Essas pessoas continuam tendo o diagnóstico positivo, mas não realizam nenhum tipo de tratamento para controlar sua carga viral, que é indetectável. E estudos mostram que não contaminam outras pessoas.

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Adam Castillejo, de Londres, conseguiu deixar de tomar seus medicamentos diários para o HIV depois que recebeu um tratamento com células-tronco de um doador para um câncer que ele também tinha.

Suas células infectadas pelo HIV foram eliminadas e trocadas enquanto fazia a terapia do câncer.

Felizmente, seu doador fazia parte do pequeno grupo de 1% das pessoas que nasceram com genes que impedem o HIV de entrar e infectar as células. Não está claro quanto tempo essa vantagem pode durar para Castillejo, no entanto.

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Mas a paciente Esperanza não teve HIV detectável por mais de oito anos.

Loreen Willenberg, de San Francisco, nos Estados Unidos, também parece estar curada do HIV pelo seu próprio sistema imunológico. E isso oferece esperança de uma “cura esterilizante” para outros pacientes.

A responsável pelo estudo, Xu Yu, do Instituto Ragon do Hospital Geral de Massachusetts, ligado ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) e da Universidade de Harvard, nos EUA, disse: “Pode haver um caminho prático para uma cura esterilizante para pessoas que não são capazes de fazer isso por conta própria”.

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“Estamos agora observando a possibilidade de induzir este tipo de imunidade em pessoas em TARV (terapia antirretroviral), por meio da vacinação, com o objetivo de educar seus sistemas imunológicos para serem capazes de controlar o vírus sem TARV.”

O professor John Frater, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, falou à BBC News que por mais que seja quase impossível falar se alguém realmente conseguiu ser curado do HIV, os pesquisadores fizeram “tudo o que poderia ser pedido a eles com a tecnologia atual” para provar isso.

“A questão chave é se esta paciente realmente se curou ou, por outro lado, teve alguma forma de infecção abortiva, que tentou progredir, mas foi eliminada precocemente”, disse ele.

“Seu sistema imunológico mostra claramente uma lembrança de ter sido infectado, então não parece haver dúvida de que ela contraiu o vírus.”

“Apesar de tudo, pode haver pacientes semelhantes por aí, e ainda há muito a se aprender na busca pela cura do HIV.”

A professora Sarah Fidler, especialista em medicina de HIV na Universidade Imperial College London, comentou que o trabalho contribui com as terapias imunológicas que ainda se encontram em desenvolvimento.

Andrew Freedman, da Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, no País de Gales, falou que os medicamentos que existem hoje em dia para o HIV são todos extremamente eficazes e, embora olhar para os tratamentos futuros seja bastante importante, melhorar o acesso à terapia antirretroviral em todo o mundo é uma prioridade urgente.

“Esperança”: estudando o caso de uma argentina que se “curou” de HIV sem tratamento