Prático Xi Jinping

*Por Felipe Frydman – Diplomata

Prático Xi Jinping
Presidente chinês, Xi Jinping, no Fórum Econômico Mundial (Foto de Naohiko Hatta-Pool/ Getty Images)

O prático presidente Xi Jinping expressou mais uma vez seu compromisso com as reformas e a abertura em seu discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde se tornou um dos palestrantes preferidos dos empresários interessados ​​em perceber tendências para definir seus investimentos. O discurso de Xi delineou as principais linhas da política externa da China, a vontade de cooperar e a rejeição da pressão para acelerar as mudanças.

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Xi expressou de forma realista o direito da China de continuar crescendo, contrastando com posições em voga na América Latina que enfatizam a redução do consumo, o igualitarismo para resolver os níveis de pobreza e limitar a exploração dos recursos naturais para preservar o meio ambiente. Tudo isso envolto em uma campanha frenética por direitos, vagas para minorias e identidade sexual.

Xi Jinping não se esquivou do debate sobre mudanças climáticas. Em sua apresentação, reiterou que cooperação e responsabilidades não são as mesmas porque os níveis de desenvolvimento dos países são diferentes e os mesmos sacrifícios não podem ser exigidos de todos. Ele argumentou que os países desenvolvidos devem assumir a liderança na redução de emissões, facilitando a transferência de tecnologia, colaborando financeiramente para “criar as condições necessárias para que os países em desenvolvimento enfrentem as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável”.

Xi não deixa de apresentar a redução da pobreza como o maior sucesso das políticas implementadas desde 1979, em cujo desenho também participou seu pai, Xi Zhongxun, como criador das zonas especiais para receber investimentos após sua reabilitação. A diminuição da pobreza implica um aumento do consumo. Xi afirmou que “a riqueza de um país é medida pela abundância em que vive seu povo”. Xi é claro ao reivindicar o direito da China de continuar crescendo para alcançar o progresso individual e a prosperidade comum para toda a população. Apesar do rápido progresso das últimas décadas, a China tem uma renda per capita de 10.000 dólares, muito distante dos padrões da Europa e dos Estados Unidos, e embora tenha conseguido tirar 800 milhões de pessoas da pobreza, ainda tem uma população rural com níveis de consumo inferiores aos urbanos.

“Xi não deixa de apresentar a redução da pobreza como o maior sucesso das políticas implementadas desde 1979”

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Ao contrário dos repetidos apelos por maior igualdade que se ouvem em toda a América Latina definindo-o como o continente mais desigual, Xi esclareceu que prosperidade comum não é igualitarismo: “Primeiro é preciso ampliar o bolo e depois dividi-lo por meio de arranjos institucionais. Razoáveis”. A China, como os demais países asiáticos, promoveu seu desenvolvimento por meio de altas taxas de investimento que se traduziram em ampliação da estrutura produtiva e melhorias na infraestrutura. Toda essa política foi complementada com investimentos estrangeiros para elevar os índices de produtividade e competir no mercado internacional.

Xi reiterou em Davos a prioridade do crescimento e bem-estar da China. Ele não recorreu a dilemas morais ou frases tocantes sobre o futuro da humanidade. Enquanto a América Latina continuar a ouvir os pregadores do apocalipse, a Ásia com seu pragmatismo continuará avançando para confirmar sua centralidade na economia global.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

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*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.