Putin exige reconhecer a Crimeia como parte da Rússia e promete não atacar civis ucranianos

O presidente russo também pede a “desmilitarização” e “desnazificação” do Estado ucraniano e a promessa de manter seu “status neutro” em vez de ingressar na OTAN

Putin exige reconhecer a Crimeia como parte da Rússia e promete não atacar civis ucranianos
(Crédito: Sean Gallup/ Getty Images)

O presidente russo, Vladimir Putin, exigiu nesta segunda-feira (28) de seu homólogo francês, Emmanuel Macron, o reconhecimento da Crimeia como território da Rússia e a desmilitarização da Ucrânia como condições para encerrar a guerra naquele país, que já registra um alto saldo de mortes de civis.

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Putin pediu “o reconhecimento da soberania russa sobre a Crimeia, a desmilitarização e ‘desnazificação’ do Estado ucraniano e a promessa de seu status neutro” como condições preliminares para a resolução do conflito armado, conforme indicado pelo Kremlin em comunicado após uma conversa telefônica entre ele e Emmanuel Macron, que atuou como intermediário, segundo a AFP.

No âmbito do telefonema, o presidente russo também prometeu a Macron suspender os ataques contra a população ucraniana e suas casas e infraestrutura. Putin enfatizou que a resolução do conflito “só seria possível se os legítimos interesses de segurança da Rússia fossem levados em consideração sem condições”.

De acordo com um comunicado, o presidente da França ligou para Putin a pedido de Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, a quem então fez os pedidos do presidente russo. “Putin confirmou sua disposição de se comprometer nesses três pontos” e também de manter contato com Macron nos dias seguintes.

Nesta conversa entre os líderes – que durou cerca de uma hora e meia, ao mesmo tempo que a reunião de negociação entre as delegações russa e ucraniana no posto de controle Alexandrovka-Vilcha, na fronteira entre a Ucrânia e a Bielorrússia – Macron insistiu que Putin deve “impor um cessar-fogo imediato”.

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Da mesma forma, de acordo com a resolução que a França apresentou ao Conselho de Segurança da ONU, o presidente francês pediu ao presidente russo que respeite o direito internacional humanitário e proteja a chegada de ajuda humanitária.

As “negociações” dos últimos dias

Durante as últimas horas desta segunda-feira, as delegações ucraniana e russa reuniram-se num ponto “neutro” da Bielorrússia, na região de Gomel, para negociar e pôr fim à guerra que se arrasta há cinco dias. Até agora, as tropas russas permanecem presentes em território ucraniano, apesar do apelo do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky por um cessar-fogo “imediato”.

Por um lado, o chefe da delegação de negociação russa, o ex-ministro da Cultura Vladimir Medinski, havia afirmado que Moscou quer um acordo que beneficie os dois países: “Toda hora que o conflito se arrasta, cidadãos e soldados ucranianos morrem. Propusemos chegar a um acordo, mas tem que ser do interesse de ambas as partes”.

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Antes da reunião, no domingo, o governo bielorrusso ratificou por referendo emendas à sua Constituição que abrem a porta para a nuclearização do país. Algo que chamou a atenção do chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, que julgou isso como algo “muito perigoso”, porque “significa que a Rússia instalará armas nucleares na Bielorrússia”.

De fato, agora os Estados Unidos também suspenderam as operações de sua embaixada na Bielorrússia e autorizaram a saída voluntária de pessoal não essencial de sua legação em Moscou. “Estamos tomando essas medidas devido a preocupações de segurança decorrentes do ataque não provocado e injustificado das forças militares russas à Ucrânia”, disse o secretário de Estado em comunicado.

Além disso, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA proibiu os americanos de realizar transações com o Banco Central da Federação Russa, que imobiliza quaisquer ativos do Banco Central da Federação Russa nos Estados Unidos. .

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Tropas russas na Ucrânia sitiam Mariupol, Kharkiv, Berdyansk e Kherson

Esta segunda-feira, as autoridades ucranianas confirmaram que as tropas russas tentaram várias vezes durante a noite um assalto à capital Kiev, mas que a capital continua a resistir.

Outras áreas atacadas são Mariupol e Kharkiv, onde pelo menos 11 civis foram mortos durante o bombardeio russo de bairros residenciais em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, perto da fronteira russa, anunciou o governador regional.

A cidade de Berdyansk, no Mar de Azov, também está “ocupada” e o exército russo disse ter cercado a cidade de Kherson, mais a oeste do país. Ambos estão perto da península da Crimeia, que a Rússia anexou em 2014 e de onde lançou uma de suas várias forças de invasão.

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As novas sanções contra a Rússia

Esta segunda-feira, a Suíça acompanhando as medidas decididas pela UE e o Japão anunciaram sanções contra o presidente da Bielorrússia e o banco central da Rússia.

As medidas tomadas contra Moscou causaram um desastre nos mercados russos e o rublo se desvalorizou acentuadamente, forçando a suspensão das bolsas. Para apoiar a economia nacional, o Banco Central da Rússia elevou a taxa de referência em 9,5 pontos para 20%.

Ucrânia agora tem 500.000 refugiados

Mais de 500.000 pessoas fugiram da Ucrânia para países vizinhos desde o início da ofensiva militar russa na quinta-feira, disse o alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Filippo Grandi, em sua conta oficial no Twitter na segunda-feira.

Pouco antes, o escritório de Grandi havia informado que 499.412 refugiados haviam sido registrados, dos quais 281.000 estão na Polônia. Por sua vez, a Hungria recebeu 84.586 refugiados, segundo o último dado. Moldávia para mais de 36.000 pessoas, e Romênia e Eslováquia para cerca de 30.000. E outros 34.600 ucranianos viajaram para outros países europeus.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.