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O desafio global na recuperação da crise da Covid-19

A pandemia está agravando os desafios estruturais devido à desigualdade, à economia informal e à baixa produtividade. Isso poderia destruir mais de uma década de progresso no desenvolvimento

O desafio global na recuperação da crise da Covid-19
(Crédito: Jeff J Mitchell/Getty Images)

A recuperação da crise da Covid-19 é um desafio global. Nenhum país, nenhuma região, nenhum continente pode lidar com ela sozinho. Neste momento, a União Europeia e a América Latina e o Caribe devem fortalecer a sua parceria estratégica para avançar em direção a um mundo mais sustentável, inclusivo e igualitário.

O custo humano da pandemia da Covid-19 em nossas regiões foi extremamente alto. Até 15 de junho de 2021, um total de 732.000 pessoas haviam perdido as suas vidas na União Europeia e 1.210.000 pessoas na América Latina e no Caribe.

A pandemia da Covid-19 também arrastou a América Latina e o Caribe para sua pior recessão econômica em 120 anos, e levou a que mais de um terço dos seus 650 milhões de habitantes sobrevivam atualmente na pobreza.

A pandemia está agravando os desafios estruturais devido à desigualdade, à economia informal e à baixa produtividade. Isso poderia destruir mais de uma década de progresso no desenvolvimento. Na América Latina e no Caribe, o desemprego deve atingir cerca de 33 milhões de pessoas, afetando especialmente mulheres e jovens.

Os governos da região já realizaram esforços orçamentários sem precedentes para amortecer o impacto. A dívida pública disparou mais de dez pontos, até alcançar 79,3% do PIB.

“No entanto, lidar com a pandemia e estabilizar a economia implicará mais despesas em 2021.”

A Comissão Europeia tem defendido uma iniciativa de recuperação global que vincule o alívio da dívida ao investimento nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. No entanto, a América Latina e o Caribe receberam até agora apoio multilateral limitado. Isso ocorre porque os países de renda média não são elegíveis para a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida nem para o Quadro Comum para o Tratamento da Dívida do Grupo dos 20 (G20).

Nesse contexto, a Comissão Europeia e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) reivindicam uma mudança de paradigma na cooperação para o desenvolvimento, em consonância com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. As classificações baseadas apenas em critérios de renda per capita não refletem toda a gama de vulnerabilidades multidimensionais, deficiências estruturais e necessidades de financiamento de um país. Não basta estabelecer a inclusão ou exclusão de países dos mecanismos de cooperação global, nem nesta crise nem nas crises associadas às mudanças climáticas, à degradação ambiental e à perda de biodiversidade.

A Comissão Europeia e a CEPAL trabalharão para renovar o diálogo político birregional em favor de uma parceria renovada com base em três pilares.

Em primeiro lugar, avançar em direção a modelos de desenvolvimento sustentável, com a igualdade no centro. O combate às mudanças climáticas e a transição para modelos sustentáveis de produção e consumo devem constituir uma prioridade em matéria de desenvolvimento.

Em segundo lugar, promover um sistema multilateral mais forte e inclusivo. Esse sistema deve incorporar mecanismos para facilitar o acesso ao financiamento de investimentos sustentáveis, um sistema de comércio fortalecido e baseado em regras e um compromisso renovado com a ação climática.

Em terceiro lugar, para ser eficaz, a nossa parceria deve facilitar o acesso a – e o desenvolvimento de – tecnologias ecológicas e digitais.

A América Latina, o Caribe e a Europa têm uma parceria duradoura. Compartilhamos a convicção de que a cooperação e as parcerias são os principais instrumentos para superar os desafios globais. Agora é a hora de unir forças para construir um futuro melhor para todos.

*Por Alicia Bárcena – Secretária Executiva da Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

**Por Jutta Urpilainen – Comissária para Parcerias Internacionais da Comissão Europeia.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.

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