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A ordem do nascimento afeta a personalidade de irmãos?

Ser o caçula, o do meio ou o mais velho não é uma questão trivial e influencia até na construção da personalidade

A ordem do nascimento afeta a personalidade de irmãos
(Crédito: Canva Fotos)

Depois de um pênalti que mais tarde foi tiro livre, um país, um continente, possivelmente grande parte do mundo, seguiu com atenção aquela mistura de ritual e preparação que Lionel Messi realizou antes de executá-lo. Celebramos um gol convertido com a destreza que só um dos melhores do mundo consegue alcançar.

Em questão de segundos, viralizou a imagem de “Lio” ou a sequência completa do lance. Ainda saboreando um resultado vitorioso que impacta o humor social dos argentinos, outra imagem também se espalha e vira tendência: o grito de gol dos filhos de Messi.

As redes sociais não dão trégua, nem os usuários, e o debate já está instalado: “o problema de ser o caçula”. Não é preciso ser um grande observador de detalhes para notar que o pequeno Ciro veste a camisa da seleção de 2014, que possivelmente tenha ficado pequena para Thiago ou Mateo.

“As rivalidades entre irmãos são uma forma de competição para chamar a atenção dos pais, mas sobretudo porque cada um procura ocupar lugares e assumir papéis de forma a garantir a sobrevivência dentro do grupo”.

Enquanto no espaço virtual os comentários e as opiniões se sucedem com conjecturas criativas e até humorísticas, ser o caçula, o do meio ou o mais velho não é uma questão trivial e influencia até na construção da personalidade.

O tema dos irmãos está sempre presente, desde Caim e Abel ou João e Maria. Se o filho único costuma ser mais egocêntrico, se o mais novo recebe menos atenção ou é o mais mimado, se o mais velho tem peso e lugar diferente em relação aos demais, são questões que sempre rondam essa temática.

Psicólogos baseados nas teorias darwinianas argumentam que as rivalidades entre irmãos são uma forma de competição para chamar a atenção dos pais, mas sobretudo porque cada um procura ocupar lugares e assumir papéis de forma a garantir a sobrevivência dentro do grupo.

Alfred Adler, um psicólogo austríaco, foi um dos primeiros a analisar a ordem de nascimento dentro de uma família. Para esse discípulo de Freud, os “do meio e os mais jovens” são mais independentes, criativos, cooperativos e também bons críticos. Ele argumenta que o filho único é dependente, superprotegido e egocêntrico, e que os filhos mais velhos tendem a ser autoritários, mais responsáveis e conformistas.

Para Adler, o filho único é dependente, superprotegido e egocêntrico.”

Os que exercemos as “ciências psi” neste século, e sem desviar o que foi investigado por nossos predecessores, sabemos que essas características são rótulos simplistas e raramente se tornam normas gerais. Olhar e abordar um sistema familiar, ver que cada estrutura é única e como os papéis fraternos são exercidos é muito mais complexo.

Uma família deve ser abordada como um sistema atravessado por vários fatores e também por um determinado contexto. Não devemos perder de vista as histórias e biografias de cada pai: os filhos terão personalidades diferentes e a sua evolução será condicionada pela ordem de nascimento, a idade dos pais, o sexo, a margem entre os irmãos, se os há, entre outros fatores.

É verdade que talvez o irmão mais novo herde as roupas, mas geralmente são mais aventureiros porque os pais já passaram por experiências, tendem a ser mais simpáticos porque usam essa característica para chamar a atenção, e tendem a ter um melhor manejo das relações interpessoais na vida adulta.

Thiago, Mateo e Ciro Messi talvez compartilhem as suas roupas, mas não há dúvida de que gritaram “gol” com a mesma paixão de milhões de argentinos e com o imenso orgulho de serem, cada um deles, com suas características, filhos do melhor jogador da história do futebol.

*Por Guillermina Rizzo – Doutora em Psicologia e colunista de mídia.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.

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