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O que aprendemos com a ida de Marcos Mion para Globo

Marcos Mion não começou sua carreira agora: são 22 anos como comunicador, até conseguir chegar a um dos horários mais nobres da TV Globo

O que aprendemos com a ida de Marcos Mion para Globo
Marcos Mion (Crédito: Globo/ João Cotta

Um dos assuntos mais comentados nos últimos tempos foi a ida de Marcos Mion para a TV Globo. Visivelmente alegre em suas mídias sociais, Mion foi escolhido para apresentar o “Caldeirão”, a partir de 4 de setembro, um dia antes da estreia de Luciano Huck no seu “Domingão”. Além do mais, ele encabeçará diversos projetos para 2022, no Multishow, que encontram-se em fase de desenvolvimento, os quais incluem um reality, um programa semanal, transmissões de festivais e outras novidades que serão divulgadas em breve.

Em meio a toda essa comemoração e divulgação de sua transição, fiquei refletindo o que nós podemos aprender com Mion, no que tange nossas carreiras.

Paciência: não se constrói uma carreira do dia para noite

Marcos Mion não começou sua carreira agora: são 22 anos como comunicador, até conseguir chegar a um dos horários mais nobres da TV Globo.

Iniciou sua trajetória como ator, na Globo, na série Sandy e Junior, em 1999. Porém, ele nunca havia pisado nos Estúdios Globo até agosto de 2021, pois as gravações deste ocorriam em Campinas (SP).

Em 1999, tornou-se VJ da MTV, apresentando os programas Supernova, Uá Uá MTV e o Piores Clipes do Mundo, ganhando notoriedade como apresentador. Teve uma passagem na Band em 2002, contudo, acabou retornando para a MTV pouco tempo depois, onde esteve até 2009.

Nesse mesmo ano, assinou contrato com a Record e passou a comandar o Legendários. Posteriormente, na emissora, também apresentou o Ídolos, A Casa e em 2018, ficou à frente de A Fazenda.

Como diria minha professora de empreendedorismo, Mara Sampaio: “uma árvore que cresce muito rápido, fica com o caule fino e qualquer tempestade pode derrubar”. Creio que depois de todos esses anos de experiência, Mion encontra-se muito mais preparado para assumir suas funções na Globo.

Logo, não tenha pressa para crescer: aproveite a trajetória e saiba que toda experiência é válida para que se torne um líder e tenha uma carreira mais consistente no futuro.

Entregue resultados consistentes: as pessoas estão vendo

Só na emissora Record, Mion ficou 11 anos, dos quais destacou-se muito pelos resultados que trouxe em “A Fazenda 2020”. Ele foi um dos grandes responsáveis por trazer o TikTok para ser um dos quatro principais patrocinadores do programa. Isso ocorreu devido à sua credibilidade perante os anunciantes e por possuir muitos seguidores na plataforma.

Além do mais, Mion agradou muito o público na internet, na qual muitos pediram para Boninho o considerar no comando de um dos realities shows da Globo (no caso, o “No Limite”). Mion só não pode fazer isso, pois a quebra de contrato com a Record não o permitia estar noutra emissora nos próximos três meses (e o programa começou nesse intervalo).

Nota-se também que Mion participa de todas as etapas do projeto, não sendo apenas um apresentador, mas sim um intraempreendedor, visando resultados de todo programa: “estou em contato direto com a equipe do TikTok, participando e dando ideias. Tenho certeza de que vai chegar um momento em que vão se perguntar ‘é TikTok ou é Fazenda?’ ou é ‘Fazenda ou TikTok?’ de tão grande a imersão nessa experiência. E eu me divirto, e não é pouco, fazendo os meus tiktoks”, falou Mion, em coletiva de imprensa, antes do início de “A Fazenda 2020”.

Podemos assim aprender com ele que, fazendo o nosso melhor, as pessoas ao nosso redor estão vendo nossos esforços, e ao sair de uma oportunidade de emprego, devemos deixar sempre as portas abertas. Ao fazer o seu melhor, oportunidades aparecem, pois muitas pessoas vão te indicar. Fiquem atentos ao networking .

Saber se comunicar com diversos públicos, mostrando as vulnerabilidades e os bastidores

Mion consegue entender o que o público da internet quer ver na TV, e o que a TV consegue oferecer para internet; ele é muito antenado e é exatamente isso que a Globo busca nesse momento: uma pessoa que seja atual e que consiga conversar de uma maneira mais atualizada, principalmente com a geração Z.

Para isso, Mion se tangibiliza “gente como a gente”, mostrando suas vulnerabilidades nas mídias sociais, sua empolgação, como se tivesse no primeiro emprego, sua energia na conquista de um sonho. Ele também consegue se articular com o público mais tradicional, mostrando sua família, sua esposa, sua relação próxima de seus filhos e seu amor por seu filho autista.

Para geração Y (minha geração, que cresceu assistindo aos tempos áureos da MTV), Mion desperta um sentimento de nostalgia e de querer rever quadros que faziam sucesso na emissora, como o “Piores clipes do mundo”.

Assim como Mion, podemos aproveitar nossas mídias sociais para expormos os projetos que estamos envolvidos, bastidores desse projeto, nos conectando mais genuinamente com nossa audiência, contando histórias que nos tornem mais próximas de nosso público, marcas e contratantes. Tudo isso deve ser feito de maneira ética, respeitando compliance (note que Mion demorou um pouco para expor sua contratação na Globo), bem como de maneira natural.

Além do mais, Mion mostra que possui uma identidade única: seu sotaque paulistano, seu jeito “zuêro” e sua inquietude são levadas em consideração na construção de seus projetos. Logo, o apresentador nos leva a questionarmos: qual é a nossa identidade visual? Quais são as nossas características marcantes, que todos admiram? Quais são nossos talentos?

Desse modo, estou muito ansiosa para acompanhar os próximos capítulos de “Mionzêra” na Globo, e, quem sabe, vê-lo chamar o elenco de Sandy e Junior em seu primeiro programa (para matarmos a saudade), ou estreando um quadro no melhor estilo “Piores clipes do mundo”, com as imagens da emissora.

*Por Mariana Munis – professora de Marketing e Comportamento do Consumidor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Campinas.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

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