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A internet e o envolvimento dos adolescentes no problemas sociais

No século XXI, o mundo digital oferece aos jovens uma diversidade de canais para que possam se envolver em debates cívicos e participar da vida pública da comunidade. Em suma, o universo online permite que eles se tornem atores sociais e políticos

A internet e o envolvimento dos adolescentes no problemas sociais
(Crédito: Canva Fotos)

A participação juvenil tem sido tema de interesse no mundo inteiro, assim como a internet e o envolvimento crescente dos adolescentes nos grandes problemas sociais tem motivado um olhar mais aprofundado sobre esse assunto.

As suas demandas por um orçamento mais robusto para a educação, contra a violência de gênero, a favor do equilíbrio ecológico ou contra a discriminação têm feito que a participação dos jovens seja um tema central no século XXI. Essa participação encontrou, para muitos deles, novos canais de expressão no universo digital.

Efetivamente, a Internet deu aos adolescentes a oportunidade de se tornarem produtores de conteúdo. Permitindo que eles se expressem com a sua própria voz e compartilhem as suas experiências com as suas próprias palavras. Ser autores de um blog, de uma página da web, de uma proposta em um fórum online, um comentário em uma rede social sobre um assunto que os afeta, ou expressar a sua opinião em uma campanha online sobre um problema que os preocupa, lhes dá a possibilidade de se fazerem ouvir e de exercer o seu direito de participação. Os adolescentes têm sido, desde sempre, os usuários e a audiência dos conteúdos digitais. Hoje, além disso, podem ser criadores, produtores e autores. Os jovens, que só poderiam exercer o seu papel de público consumidor destinados a assistir, ler e ouvir, têm agora a grande oportunidade de gerar conteúdos próprios.

A Internet oferece aos adolescentes a oportunidade de compartilhar seus pontos de vista sobre questões que preocupam eles o que leva ao envolvimento em problemas sociais. E lhes dá a possibilidade de alcançar, com as suas ideias, políticos, organizações e públicos que não conhecem. Ao mesmo tempo, a web permite que eles acessem várias perspectivas e visões sobre o mesmo tópico. Se a mídia fala de problemas que afetam os jovens sem incluir sua voz, serão os próprios adolescentes que encontrarão outras formas de se fazerem ouvir. No ambiente digital, os adolescentes podem expressar e compartilhar o que pensam e sentem sobre os assuntos que mais lhes interessam ou preocupam. Eles podem interagir com outros, com sua própria voz, a partir do que eles próprios contam em suas produções. Na Internet, são eles – e não os adultos – os que falam sobre o que mais os afeta.

No século XXI, o mundo digital oferece aos jovens uma diversidade de canais para que possam se envolver em debates cívicos e participar da vida pública da comunidade. Em suma, o universo online permite que eles se tornem atores sociais e políticos. A Internet oferece novas janelas e oportunidades para a participação dos jovens. É um espaço no qual os adolescentes podem se mostrar, se fazer visíveis, se representar a si mesmos e agir como atores sociais.

O universo digital criou espaços nos quais os excluídos podem ser acolhidos, participando em novas comunidades de conhecimento e em culturas participativas emergentes, onde as suas vozes são ouvidas (Jenkins, 2007). A palavra dos adolescentes – como vimos – costuma ser excluída da mídia e, frequentemente, também da agenda pública, no século XXI, a Internet lhes dá a possibilidade de se sentirem incluídos, de serem ouvidos, se tornarem visíveis, sentirem esse envolvimento com problemas sociais.

Essas novas modalidades de participação juvenil fazem parte da cidadania digital, uma dimensão fundamental para a construção da cidadania neste milênio. Um cidadão digital é aquele que compreende o funcionamento e os princípios que regem o universo online, analisa o lugar e o papel que as tecnologias ocupam na sociedade, avalia a sua incidência no cotidiano, compreende o seu papel na construção do conhecimento e sabe utilizá-las para a participação. Um cidadão digital é alguém que tem a capacidade de navegar em contextos digitais complexos e compreender suas implicações sociais, econômicas e políticas. Um cidadão digital é alguém que sabe como fazer um uso criterioso da Internet, tanto para a análise crítica quanto para a participação.

A cidadania digital coloca os jovens em melhores condições para compreender a realidade – cada vez mais mediada por telas–, responder aos dilemas e desafios deste milênio, se inserir socialmente, para tomar decisões e para participar nas suas comunidades. A participação no ambiente digital empodera os jovens para que possam influenciar construtivamente na qualidade das políticas públicas. Este é, em última instância, o principal objetivo da participação, tanto na vida real como no universo online: analisar, avaliar, tomar decisões e agir em iniciativas que permitam transformar de forma positiva a vida pública da comunidade. A democracia precisa de pessoas bem informadas, ativas e participativas. O uso de tecnologias para a participação está vinculado à construção de uma sociedade democrática. É difícil pensar em uma cultura democrática forte sem uma sociedade que exerça a cidadania digital de forma plena. Um cidadão digital, comprometido com a democracia, tem melhores condições de participar da agenda pública, construir consensos com argumentos sólidos, discutir estratégias, trocar ideias, tomar decisões e agir pelo bem comum.

Se o uso de tecnologias não constrói conhecimento – ou se esse conhecimento não permitir que os jovens entendam o ambiente digital, respondam às novas questões geradas pelo uso da internet e usem o universo online para participação –, a tecnologia servirá apenas para fins instrumentais ou recreativos. Os adolescentes saberão o que fazer se a tela de um aparelho “travar” ou como baixar um aplicativo no celular. Mas esse uso instrumental da ferramenta nada tem a ver com cidadania digital, que inclui, além do acesso, a reflexão, a atitude crítica, a criatividade e a participação. A cidadania digital torna-se essencial no século XXI porque promove a inclusão e a participação. A falta de acesso e, especialmente, a falta de apropriação das tecnologias entre os adolescentes, aprofunda a exclusão. Isso significa, sem dúvida, menos oportunidades de emprego e de educação. E menos possibilidades de inserção e de participação social.

*Por Roxana Morduchowicz – Autora de “Adolescentes, participação e cidadania digital”, Fundo de Cultura Econômica.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.

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