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Após 77 anos, são identificadas duas crianças que sobreviveram ao Holocausto

Conseguiram identificar os sujeitos de uma das imagens mais tristes e icônicas do século XX: duas crianças judias encostados na janela do trem que os deportaria para o campo de extermínio de Bergen-Belsen. Foi em maio de 1944, eles eram irmãos e estão vivos

Após 77 anos, foram identificadas duas crianças que sobreviveram ao Holocausto
Campo de concentração nazista de Bergen-Belsen, na Alemanha (Crédito: Sean Gallup/Getty Images)

Em 19 de maio de 1944, o trem da morte iniciava a sua marcha em direção ao campo de concentração nazista de Bergen-Belsen, na Alemanha, durante o Holocausto. Os oficiais pediram a outro detento que filmasse as deportações e graças a ele chegou até nós uma das fotos mais tristes e icônicas do século XX: a de duas crianças atrás da janela do trem que os levaria ao seu destino fatal. Nunca se soube quem eram, se sobreviveram ao extermínio ou se perderam a vida junto com os pais, numa câmara de gás.

No entanto, eles acabam de ser identificados. Essas crianças de 1 e 3 anos eram Marc e Stella Degen. E estão vivos!

Marc Degen acaba de fazer 80 anos e, quando os jornalistas chegaram à sua casa no tranquilo bairro holandês de Amstelveen, em Amsterdã, para verificar se o boato era verdadeiro, ele os recebeu dizendo: “Agora sinto que posso gritar: ainda estou aqui! Os nazis não me capturaram!”, como se tivesse renascido.

Sua irmã, Stella Degen, está em Nova York. No mesmo trem, viajava com eles um dos seus primos, Marcus Simon. Os três conseguiram sobreviver ao Holocausto graças à compaixão de outro prisioneiro que, ao intuir que seus pais haviam sido assassinados, os esconderam e os mantiveram vivos até que o resgate internacional chegou. Simon faleceu em 2006.

Seus rostinhos anônimos e tristemente famosos deram a volta ao mundo em inúmeros documentários sobre a barbárie nazista, mas finalmente eles recuperaram a identidade que a história lhes devia e seu caso veio à tona graças à investigação de dois holandeses que fizeram um trabalho imenso de coleção de imagens de arquivo para a publicação do livro “Kamp Westerbork gefilmd”, que foi publicado em simultâneo com a restauração e digitalização do filme “Westerbork”, uma detalhada obra de preservação histórica realizada pela empresa holandesa de multimídia Sound and Vision.

Westerbork era o nome do campo de trânsito nazista de onde os judeus holandeses eram deportados para os campos de extermínio finais. Também foram levados lá Anne Frank e a sua família, em 4 de agosto de 1944, quando alguém denunciou que eles estavam escondidos na famosa casa da rua Prinsengracht 263, em frente ao canal do mesmo nome.

Os holandeses seguiram os passos de vários prisioneiros judeus, não apenas dos pequenos irmãos Degen. Mais tarde, o New York Times publicou a comovente história dos Degen para acompanhar o lançamento do filme Westerbork, que será exibido no Museu da Herança Judaica – Memória Viva do Holocausto, em Battery Park.

“Dar um nome a um rosto torna essa enorme tragédia realmente compreensível e facilmente reconhecível”, disse ao jornal novaiorquino Lindsay Zarwell, arquivista de filmes do Museu Judaico. “Ter nome e sobrenome, e saber de onde vem uma pessoa, e o que aconteceu com ela, a torna real”, concluiu.

O documentário original tinha 80 minutos de duração, mas graças às novas contribuições dura 150 minutos.

mm/ds

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.

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