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Broadway volta a operar com 100% de capacidade

Os cinemas de Nova York abrem para casa cheia. Um experimento que o mundo acompanha para redefinir protocolos e ações de marketing

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“Hamilton”, no Richard Rodgers Theatre (Crédito: Cindy Ord/Getty Images)

As marquises da Broadway estão brilhando outra vez e voltaram a operar com 100% da capacidade. Após 18 meses de silêncio e escuridão, as melodias dos musicais ressoam, as luzes deslumbram nativos e turistas, as cortinas se abrem e é hora de voltar a sonhar.

Confinamento

Em 12 de março de 2020, com 31 shows em cartaz e 8 novas produções em fase de pré-estreia, os cinemas da Broadway fecharam suas portas devido à pandemia do coronavírus. O coração de Manhattan parou de bater. Apesar do desejo e da necessidade da indústria de se reativar e voltar aos palcos, estes permaneceram vazios.

Isso implicou desemprego e perdas milionárias para a economia de Nova York: dezenas de milhares de pessoas trabalham direta ou indiretamente no circuito do teatro, que também é uma das principais atrações turísticas da Big Apple.

“Com quase 97.000 trabalhadores dependendo da Broadway para seu sustento e um impacto econômico anual de US$ 14,8 bilhões para a cidade, nossos membros estão comprometidos com a reabertura assim que as condições permitirem”, expressou em certo momento Charlotte St. Martin, presidente da Broadway League, uma organização que agrupa 41 teatros históricos de Nova York.

E o dia chegou

Parafraseando a canção final de “Os miseráveis”: “mesmo na noite mais escura o sol nasce, há um amanhã para viver e o futuro começa hoje”.

Há algumas semanas foi anunciada a reabertura dos cinemas e os ingressos já estão à venda. “Hamilton”, no Richard Rodgers Theatre; “Wicked” no Gershwin Theatre; “O Rei Leão”, no Minskoff Theatre; e “Chicago” no Ambassador – quatro dos musicais de maior sucesso da Broadway abrirão as cortinas em 14 de setembro.

“Six” vai estrear em 17 de setembro, assim como “American Utopia”, criação de David Byrne. “Come From Away” terá a sua reestreia no dia 21, “Moulin Rouge” no dia 24 e “Aladdin” no dia 28. “Ain’t Too Proud – The Life and Time of the Temptations”, retomará as apresentações em 6 de outubro; “Sra.Doubtfire”, no dia 21. “The Phantom of the Opera” voltara a hipnotizar o público em 22 de outubro. E o vencedor dos prêmios Tony, Grammy e Emmy, Hugh Jackman, fará o seu tão esperado retorno à Broadway em 20 de dezembro, como o Professor Harold Hill no clássico de Meredith Willson, “The Music Man”.

Reabertura

O fenômeno teatral já deu os seus primeiros passos em 4 de agosto, com a pré-estreia da peça “Pass Over”, dirigida por Danya Taymor, no teatro August Wilson, com todas as poltronas habilitadas, assim como será no resto dos teatros.

Como o governador de Nova York, Andrew Cuomo, informou em 5 de maio por meio de sua conta oficial no Twitter: “Os shows da Broadway estarão prontos para estrear em 14 de setembro com 100% da sua capacidade. A Broadway é uma parte importante da identidade e da economia de nosso estado, e estamos muito satisfeitos que as cortinas estejam sendo abertas novamente”.

Ariel Stolier, diretor do Paseo La Plaza, que trabalhou em produções da Broadway, como a estreia de “O Rei Leão” da Disney em 1999, “Fosse” em 1998 e “Radio City Christmas Show” em 2000, está em Nova York agora mesmo, e a partir daí, em diálogo com o Notícias, vislumbra o panorama das pré-estreias antes da data oficial de lançamento da temporada.

“A Disney está realizando neste final de semana no teatro New Amsterdam, três funções de um show em homenagem às canções de seus musicais. Fazem isso para testar o funcionamento dos teatros com os novos protocolos de trabalho e de cuidado da saúde do público. O musical estrelado por Bruce Springsteen está em cartaz, e é uma temporada limitada. A principal diferença com o ocorrido na Argentina é que aqui a reabertura é com 100% da capacidade autorizada. É mais tarde que outros países como Inglaterra, Espanha, Austrália ou Coreia, mas vão abrir diretamente com 100%, porque foi necessário para a economia de custos que as peças de teatro têm nesta cidade”, diz Stolier.

Capacidade e custos

Nesse ponto, coincide com a diretora de Go Broadway, Valentina Berger, e a produtora, junto com Carlos Mentasti, de “Rent” e do musical “Madres”. Ainda na Broadway, ela também produz, com Ricardo Hornos, “Company”, no Bernard B. Jacobs Theatre, e “The Minutes”, no Studio 54, que serão lançadas em breve.

“Aqui, os números não batem para abrir um musical com 50%, então tivemos que esperar até que todos fossem vacinados e abrir diretamente para 100%. Além disso, desde sempre, se uma peça na Broadway fica mais de três semanas com menos de 70% de aforo, o seu contrato é cancelado, você tem que sair e entra uma nova peça, porque há uma longa lista de espera para os teatros. O que sim está sendo feito pela primeira vez na história é que peças diferentes dividam um mesmo teatro, algo que antes era impensável, pois geralmente uma peça da Broadway tem 8 apresentações semanais e cada teatro é destinado a uma determinada peça, mas como o negócio é muito mais arriscado e ninguém sabe o que vai acontecer agora, algumas novas peças decidiram dividir o mesmo teatro”, diz Berger ao Notícias.

O investimento inicial para encenar um musical padrão na Broadway é de cerca de US$ 12 milhões. Para uma aposta de 30 pessoas no palco, calcula-se um investimento de US$ 20 milhões. E um dos mais caros foi “Moulin Rouge”, que exigiu um investimento inicial de US$ 34 milhões. O custo médio semanal dos musicais fica entre US$ 600.000 e US$ 800.000. E as peças de texto exigem um investimento inicial de US$ 4 milhões em média, com um custo semanal que gira em torno de US$ 400.000. As grandes estrelas geralmente cobram uma taxa fixa mais uma porcentagem dos assentos vendidos. Enquanto o resto do elenco e conjunto cobram uma quantia fixa.

Ingressos

“Com as grandes estrelas ocorre um fenômeno peculiar, se você vai no WME ou na CAA, que são as grandes agências de talentos, e pede um cara que seja uma estrela do cinema, um Zac Efron, a oferta nunca chega até ele porque o máximo que você pode ganhar na Broadway equivale a 10% do que você ganha com um filme. Quem faz teatro é porque tem interesse, como Uma Thurman, e fãs da Broadway como Hugh Jackman e Kevin Kline, que fazem uma temporada a cada dois ou três anos”, confidencia Ricardo Hornos a Notícias.

“Evita”, com Elena Roger e Ricky Martin, foi o primeiro trabalho de Hornos como produtor na Broadway. Ele já colheu três prêmios Tony por participar das produções “O Curioso Incidente do Cachorro à Meia-Noite”, “Anjos na América” e “Hadestown”, peça que retomará as suas apresentações em 2 de setembro no Walter Kerr Theatre.

Sobre os preços gerais dos ingressos nesta reabertura oficial da Meca do teatro de Nova York, ele explica: “A maioria dos teatros da Broadway há alguns anos seguia a liderança da Disney e copiava o modelo de preços dinâmicos. Agora, uma fileira já não tem o mesmo valor para todos os assentos; os primeiros quatro assentos que são vendidos na fileira seis têm um valor, depois os outros quatro valem um pouco mais e assim por diante. Eles fazem isso para maximizar a renda. É uma questão de mercado. Portanto, os preços médios dos ingressos vão surgir empiricamente de acordo com o que seja a demanda em relação à oferta”.

Dependendo do sucesso de uma obra e da demanda que exista, os preços sobem. E também, como na Argentina, há promoções especiais. “Hamilton” já vendeu assentos preferenciais por US$ 10 por meio do aplicativo oficial (enquanto o assento mais caro custava US$ 849). Jeffrey Seller, produtor líder de “Hamilton”, explicou ao The New York Times: “É frustrante para mim, como dono de uma empresa, ver que meu produto está sendo revendido por um preço muito mais caro. Então, com o aumento dos preços, buscamos desmotivar os revendedores”.

Os ingressos aumentaram de preço e as vendas online se impõem. Os ingressos para “Springsteen on Broadway”, que está em cartaz desde 26 de junho, custam em média US$ 1.000. E os requisitos para desfrutar deste espetáculo biográfico são estritos: os espectadores devem ter sido vacinados com uma vacina aprovada pela FDA e devem apresentar o comprovante de vacinação. Desta forma, o entretenimento está garantido e a saúde também.

*Por Celina Hernández – Formada em Jornalismo, locutora Nacional e atriz.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

*Texto publicado originalmente no site Notícias, da PERFIL Argentina.

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