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Conheça a história por trás da primeira bebida esportiva com cannabis

Após sofrer um acidente que o obrigou a usar opioides, um atleta e dois parceiros investigaram o uso do CBD na recuperação física. Gabriela Sabatini e outros atletas são seus clientes. Eles buscam trazer seu produto à Argentina.

A primeira bebida esportiva com cannabis
Sócios criaram a primeira bebida esportiva com cannabis

“De certa forma, isso ocorre depois de um acidente”, diz Martín Moresco. Assim como seus sócios Diego Belbussi e Sebastián Sánchez, ele nasceu na Argentina e conta a PERFIL a história, quase trágica, que culminou na primeira bebida esportiva com infusão de canabidiol. “Em 2018, Sebastián estava morando em Amsterdã e sofreu um acidente de bicicleta durante um treinamento. Ele quase ficou tetraplégico”, lembra. E acrescenta: “Os médicos deram-lhe um coquetel de opioides muito pesado. Naquela época, nos Estados Unidos, o CBD começou a surgir com força e ele começou a substituir os opioides por ele. Nesse processo vimos que tinha um benefício para a recuperação, principalmente a esportiva”.

Depois dessa experiência, os três amigos iniciaram um caminho de pesquisa e desenvolvimento que os levou a lançar, nos Estados Unidos, a bebida esportiva Rejoy. “É infundida com CBD, a molécula medicinal da cannabis que permite diminuir a inflamação ou a dor após uma atividade esportiva ou treinamento”, explica Belbussi sobre um dos mais de cem canabinoides encontrados na planta e que interagem entre si.

Cada garrafa tem 20 mg de canabidiol, custa US$ 3,99 e já produziu mais de 50 mil unidades. 50% das vendas são feitas através do seu site. Eles comercializam nos Estados Unidos dessa forma e estão fisicamente localizados em Miami. No estado da Flórida, a Rejoy pode ser achada em mais de uma centena de academias e almeja ter mil pontos de venda em um futuro próximo. “No ano passado faturamos US$ 100 mil e a meta para 2021 é chegar a um milhão e meio”, destacam, e comentam que atualmente estão em rodada de financiamento por meio da plataforma WeFunder, a partir da qual qualquer pessoa pode se tornar investidor na empresa a partir de contribuições que começam em US$ 100.

Estigmas

O CBD que eles emulsificam na bebida vem do cânhamo. Esta planta tem menos de 0,3% de THC e, portanto, não tem efeitos psicoativos. “Nunca deveria ter sido proibida porque não havia razão, exceto que é idêntica à cannabis. Mas o estigma é cada vez menor”, garantem os sócios argentinos. E explicam que “25% dos americanos têm curiosidade de experimentar uma bebida com infusão de CBD”.

A Prohibitions Partners, uma consultoria de mercado especializada em cannabis, estima que a indústria de bebidas à base de cannabis pode valer até US$ 5,8 bilhões em 2024. Desse montante, os Estados Unidos representariam US$ 4 bilhões. “Mas o mercado de bebidas esportivas aqui tem apenas dez milhões de dólares e essa é a nossa oportunidade”, eles contam a PERFIL.

Dentro do seu plano de expansão, a Argentina é um país ao qual estão sempre atentos. “A questão regulatória é longa, mas a vantagem é que nós já ganhamos algum tempo e teremos o conhecimento”, afirmam. E eles se aventuram: “Definitivamente queremos estar na Argentina. Acreditamos que esta onda da cannabis veio para ficar. Mais cedo ou mais tarde, a região seguirá os passos em termos regulatórios do que está acontecendo nos Estados Unidos”.

“Todos os atletas de elite deste país tomam CBD”, explica sobre o uso da substância. Na Rejoy eles também fizeram parceria com atletas profissionais, especialmente de triatlo.
“E temos a número um que é consumidora da bebida. Há duas ou três semanas chegou um pedido e vimos que era da Gabriela Sabatini. Fomos pegar as caixas e era mesmo a Gaby. Ela vai a um clube de tênis onde vendemos a bebida e lá ela provou e funcionou para ela. Por sermos argentinos, ela é uma referência muito importante”.

Registro nacional de sementes

Como mencionam os criadores argentinos da bebida esportiva com CBD, a regulamentação da cannabis leva tempo.

Nesta semana, a Argentina avançou com a formalização de uma resolução que permite a abertura de um registro nacional de sementes e a sua comercialização em um futuro próximo.

O documento foi assinado por Carla Vizzoti, ministra de Saúde da Nação, e pelo presidente do Sistema Nacional de Sementes (Inase), Joaquín Serrano. “O Estado mudou a sua visão e com esta medida estamos contribuindo para resolver a vida das famílias com problemas de saúde”, disse a ministra Vizotti durante a assinatura do acordo. E Serrano acrescentou: “É um grande passo que ilumina todos os elos da cadeia: a pesquisa, o desenvolvimento e a produção para fortalecer a indústria nacional de sementes”.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina