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Juan Guaidó: “A língua e a cultura nos aproximam do Papa e da Argentina”

O presidente em exercício, eleito pela Assembleia Nacional da Venezuela, falou com Jorge Fontevecchia sobre as semelhanças entre os países, e tomou o Santo Padre como referência

Juan Guaidó “A língua e a cultura nos aproximam do Papa e da Argentina”
Juan Guaidó, presidente em exercício eleito pela Assembleia Nacional da Venezuela (Crédito: Eva Marie Uzcategui/Getty Images)

Juan Guaidó, a agência Nova disse que o Papa Francisco gostaria de reafirmar a neutralidade da Santa Sé e o desejo de não estar de um lado ou do outro, e que promove a organização de um encontro no Vaticano entre você e o Maduro, para que possam se encontrar cara a cara, primeiro sozinhos e depois com a intervenção do Vaticano. Qual é o papel da Santa Sé?

Não pude confirmar essa informação. A Igreja tem um papel muito importante neste momento. Frente à decomposição do Estado, é essencial a ação social gerada por meio da Cáritas, por exemplo, que tem um enorme alcance, como poucas outras ONGs ou fundações no caso da Venezuela. A Venezuela é um país profundamente católico. A maior parte do país tem essa religião, no meu caso eu a prego. O Episcopado venezuelano é claro sobre a emergência, porque a vive no dia a dia. Você tem acesso não apenas à informação, mas à dor. O Vaticano tem um papel importante em todo esse processo. Pode servir como fiador, não só da paz. A paz não seria a ausência de conflito, seria para aliviar o sofrimento. Estabilizar o país, para que as pessoas possam se desenvolver plenamente e recuperar a prosperidade. Esperamos que a Igreja desempenhe um papel produtivo no conflito. No caso da Venezuela, não há neutralidade da Igreja. Não existe neutralidade em momentos de violação dos direitos humanos. Seria tomar o lado do opressor.

O fato de Francisco ser argentino aumenta as possibilidades de que o presidente argentino possa contribuir ao plano de salvação nacional?

O Papa é argentino, latino-americano e jesuíta. Eu me formei em uma universidade jesuíta em 2000. A língua e a cultura nos aproximam do Papa e da Argentina. Sei que os argentinos estão profundamente comovidos com o que está acontecendo na Venezuela. Muitos têm amigos ou colegas de trabalho venezuelanos. Sabem sobre o sofrimento. Sei do carinho e do respeito de todos os argentinos e da Argentina em geral pela luta que travamos. Esperamos que seja possível consolidar e desenvolver, de alguma forma, um papel produtivo no enfrentamento à ditadura, na defesa da democracia e na solução do conflito que a Venezuela vive, por meio do Vaticano e também do governo argentino.

Produção – Pablo Helman e Debora Waizbrot.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.