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Milhares de pessoas precisam de ajuda no Afeganistão

Vários relatórios indicam que as pessoas estão sendo perseguidas devido às suas crenças, identidade, afiliação religiosa e etnia. As mulheres temem ser obrigadas a retornar a uma situação em que lhes é negado o acesso as oportunidades educacionais e de trabalho, e até mesmo a espaços públicos, e a tomada de decisões básicas sem um acompanhante ou tutor masculino

(Crédito: Paula Bronstein/Getty Images)

A comunidade internacional tem a responsabilidade de garantir que os direitos humanos das milhares de pessoas no Afeganistão que precisam de ajuda e proteção. No entanto, as primeiras reações dos líderes globais ao colapso do governo afegão e à tomada do poder pelo Talibã ficam aquém do esperado. Defensores e defensoras dos direitos humanos, das mulheres, de jornalistas e de minorias étnicas estão em risco.

Por que não são confiáveis as promessas dos porta-vozes do Talibã sobre uma suposta moderação? Pesquisadores da Anistia Internacional falaram em campo com testemunhas oculares que contaram como nove homens do grupo étnico hazara foram torturados e mortos há menos de dois meses por combatentes do Talibã. Vários relatórios indicam que as pessoas estão sendo perseguidas devido às suas crenças, identidade, afiliação religiosa e etnia.

Por sua vez, as mulheres temem ser obrigadas a retornar a uma situação em que lhes é negado o acesso as oportunidades educacionais e de trabalho, e até mesmo a espaços públicos, e a tomada de decisões básicas sem um acompanhante ou tutor masculino.

Esta crise de direitos humanos exige uma resposta compatível com o desafio histórico que representa. As imagens do colapso do aeroporto de Cabul são uma amostra clara da magnitude do problema. Contrariando as expectativas, o Conselho de Direitos Humanos da ONU, reunido na terça-feira passada, não incluiu em sua resolução a criação de um mecanismo independente para monitorar crimes de direito internacional, violações aos direitos humanos e demais abusos que estão sendo cometidos no Afeganistão.

Ao mesmo tempo, o presidente dos EUA, Joe Biden, reiterou naquele dia – após uma reunião do G7 –, a intenção de seu país de encerrar as operações de evacuação na próxima terça-feira, abandonando à própria sorte milhares de pessoas que buscam deixar o país por temor a represálias do novo governo talibã.

Um sistema global baseado no respeito pelos direitos humanos requer lideranças dispostas a fazer todos os esforços necessários para evitar que o direito internacional seja violado. Os Estados membros da ONU terão outra chance de aprovar uma resolução incisiva em algumas semanas, quando o Conselho de Direitos Humanos se reúna novamente.

Os países ricos devem trabalhar juntos para uma evacuação rápida do Afeganistão de todos aqueles que correm o risco de serem alvos do Talibã. Além disso, devem permitir que aqueles que desejam deixar o país e buscar refúgio no exterior o façam, mesmo suspendendo temporariamente a exigência de visto.

Nesse sentido, os países devem receber bem os afegãos e as afegãs em busca de refúgio. Para isso, deve haver meios e caminhos seguros e regulares. Além disso, devem proteger e ajudar aqueles que chegam ao seu território de forma independente, seja por meios legais ou irregulares: isso inclui a concessão da documentação necessária para garantir o pleno gozo de seus direitos.

Finalmente, é necessário apoiar os países vizinhos e outros países da região a manterem suas fronteiras abertas, compartilhando a responsabilidade pela proteção e assistência aos refugiados.

Milhares de pessoas no Afeganistão precisam de ajuda. Os Estados devem tomar medidas significativas e urgentes para protegê-las. A comunidade internacional não pode fazer vista grossa.

*Por Mariela Belski – Diretor Executivo da Anistia Internacional Argentina.

*Produção – Silvina Márquez.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.

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