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Presidente haitiano havia denunciado um complô para assassiná-lo

Moïse foi assassinado em sua casa. Ele queria se perpetuar no poder e governava por decreto após suspender o Congresso

Presidente haitiano havia denunciado um complô para assassiná-lo
Presidente do Haiti Jovenel Moïse (Crédito: Riccardo Savi/Getty Images for Concordia Summit)

O presidente haitiano, Jovenel Moïse, foi assassinado durante um atentado, confirmou o primeiro-ministro interino do país, Claude Joseph, e ele já havia denunciado um complô existente para assassiná-lo. A casa do presidente em Porto Príncipe, capital do país, foi invadida por homens armados não identificados à 1h da manhã, horário local (5h GMT), e a primeira-dama Martine Moïse também ficou ferida no ataque.

“Todas as medidas foram tomadas para garantir a permanência do Estado”, declarou Joseph, que disse que o presidente recebeu um tiro fatal em um “ato atroz, desumano e bárbaro” e pediu que o público mantivesse a calma.

Jovenel Moïse, de 53 anos, estava no poder desde fevereiro de 2017, depois de que seu antecessor, Michel Martelly, renunciou. E seu mandato não foi fácil: ele enfrentou acusações de corrupção e foi desafiado por ondas de protestos antigovernamentais frequentemente violentos.

Houve protestos generalizados em Porto Príncipe e outras cidades no início deste ano, nos quais foi exigida a sua renúncia, enquanto Moïse buscava se perpetuar no poder e reformar a constituição: a oposição haitiana afirmou que o mandato de cinco anos de Moïse havia terminado em 7 de fevereiro de 2021, cinco anos depois que Martelly renunciara.

No entanto, Moïse insistia que tinha mais um ano de serviço, já que não assumiu o cargo até o dia 7 de fevereiro de 2017. A prorrogação de mais um ano no mandato de Jovenel Moïse foi motivo de denúncias contra ele, e em fevereiro, no dia que seus oponentes marcavam como o fim de seu mandato, Moïse afirmou que havia sido frustrado um complô, um “golpe de Estado para derrubar o seu governo e assassiná-lo”.

“Eu não sou um ditador. Meu mandato acaba em 7 de fevereiro de 2022”, insistiu o presidente ao anunciar a prisão de mais de 20 pessoas, acusadas de conspirar para derrubá-lo. Destacavam-se na lista um juiz da Suprema Corte e o Inspetor-Geral da Polícia do Haiti.

E Moïse governou os últimos meses por decreto, depois de suspender também dois terços do Senado, toda a Câmara dos Deputados e todos os prefeitos do país. Moïse queria expandir os seus poderes presidenciais mudando a Constituição do país. Enquanto isso, a fome, a pobreza e as cortes diários no fornecimento de energia elétrica continuam afundando o Haiti, o país mais pobre do hemisfério ocidental.

*Texto publicado originalmente no site Notícias, da PERFIL Argentina.

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