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Entenda o que levou à morte cerebral de Paulo Gustavo

O neurocientista Fabiano de Abreu explica o que causou a morte do ator, mesmo quando ele já estava se recuperando da Covid-19

Morte cerebral Paulo Gustavo
Paulo Gustavo (Crédito: Getty Images)

O Brasil acordou mais triste depois que foi anunciada a morte cerebral do ator e humorista Paulo Gustavo, de 42 anos. Sua luta pela vida foi acompanhada pela imprensa, fãs e famosos, que inundaram as redes sociais com mensagens positivas e pedidos de oração pela cura do artista.

O boletim médico divulgado no último domingo chamou a atenção por um agravante no quadro clínico do ator. Internado no dia 13 de março por conta da Covid-19, Paulo Gustavo chegou a ter um momento de consciência no último domingo (2), quando até interagiu com os profissionais que cuidavam de seu caso e também com seu marido Thales Bretas. Porém, na noite do mesmo dia sua situação piorou bruscamente. No documento, a equipe médica revelou que isso aconteceu “em decorrência de uma embolia gasosa disseminada, incluindo o sistema nervoso central, ocasionada por uma fístula bronquíolo-venosa”.

O que é essa embolia? E por que ela matou Paulo Gustavo? Segundo o PhD, neurocientista e neuropsicólogo Fabiano de Abreu, “ela é uma obstrução do provimento de sangue aos órgãos causada por bolhas em uma artéria”.

Fabiano acrescenta que seus sintomas “são semelhantes à de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela acaba causando confusão mental, paralisia parcial, ou a pessoa tem perda de sensação. Há casos de pacientes que sofrem perda de consciência repentina ou convulsões. Além disso, essa embolia pode levar a choque e morte do paciente, como foi o que aconteceu com Paulo Gustavo”.

O neurocientista explica que este tipo de embolia acontece quando o sangue não consegue chegar às diversas regiões do corpo, “mas é potencialmente fatal quando isso acontece no coração e no cérebro, que são locais muito sensíveis a condições de baixa concentração de oxigênio”. Ele lembra que “o cérebro precisa constantemente de oxigênio. E na falta dele, quando não leva à morte, a pessoa pode ficar com sequelas”, acrescenta.

No caso de doentes respiratórios, como Paulo Gustavo, “eles precisam passar por procedimentos e, estes, quando por muito tempo, podem resultar em consequências como a embolia gasosa”. Vale lembrar que o ator estava utilizando uma espécie de pulmão artificial já há muitos dias no tratamento contra o coronavírus.

Por outro lado, Abreu lembra que tal situação não é tão rara assim de acontecer. “Há casos também de acidentes de mergulho em grandes profundidades que acabam provocando esta embolia na pessoa e a levando à riscos pelas mesmas razões citadas acima”, finaliza o neurocientista.

Paulo Gustavo

Paulo Gustavo Amaral Monteiro de Barros foi um ator, humorista, diretor, roteirista e apresentador. Ele era casado com o dermatologista Thales Bretas, e deixou também mãe, Déa Lúcia Vieira Amaral, irmã, Ju Amaral, e dois filhos, Gael e Romeu, de apenas 1 ano e meio.

Ficou conhecido pelo monólogo Minha Mãe É uma Peça, que deu origem à três filmes, sucesso de crítica e público nos últimos anos. Ele nasceu em Niterói em 30 de outubro de 1978 e estudou teatro na Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio, em 2005.

Depois de sua morte, o humorista recebeu homenagens de políticos, amigos e famosos internacionais como o ator Marlon Wayans, que atuou no filme “As Branquelas”. “Eu nunca te conheci, mas ouvi boas coisas dos meus fãs e amigos brasileiros. Meus sentimentos para sua família, entes queridos e fãs que te amaram profundamente. Descanse em paz amigo., disse em seu post.