Marmita x eleições

Empresário que negou marmita a lulista recebeu R$ 5 mil de auxílio

Cassio Cenali recebeu 15 parcelas de auxílio emergencial e responde a alguns processos na Justiça.

Empresário que negou marmita a lulista recebeu R$ 5 mil de auxílio
(Crédito: Canva Imagens)

O empresário Cassio Joel Cenali, que viralizou ao dizer que iria parar de entregar marmitas a uma apoiadora do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Itapeva (SP), recebeu mais de R$ 5 mil de auxílio emergencial e responde a diversos processos judiciais.

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O auxílio emergencial é um benefício pago pelo governo federal, por meio do Ministério da Cidadania, para garantir renda aos brasileiros em situação de vulnerabilidade durante a pandemia da Covid-19.

De acordo com uma apuração feita pelo g1, o empresário responde processos no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) por distribuição de cheque sem fundo na compra de cabeças de gado e por não pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).

No Portal da Transparência consta que, entre abril de 2020 e outubro de 2021, o empresário recebeu seis parcelas do auxílio no valor de R$ 600, duas de R$ 300 e outras sete no valor de R$ 150, totalizando R$ 5.250,00.

Cassio Cenali foi questionado pelo g1 sobre o recebimento do auxílio emergencial e dos processos judiciais, mas não se manifestou.

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O Vídeo 

O vídeo que repercutiu neste fim de semana foi gravado pelo próprio empresário após uma entrega de alimentos na casa de Ilza Ramos Rodrigues, uma moradora do Jardim Bonfiglioli.

Segundo a família da mulher, Ilza costumava receber marmitas do empresário todas as quartas-feiras.

“Ela ficava com três e ajudava mais duas famílias. Ele sempre tirava foto para mostrar que estava entregando as doações, só que dessa vez ele veio com a câmera gravando e ela até assustou”, afirma a sobrinha de Ilza, Greyce Kelly Ramos Rodrigues ao g1. 

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Não se sabe onde o vídeo foi originalmente publicado, mas a conta de Twitter dos Jornalistas Livres o reproduziu. 

No vídeo, o empresário questiona em que a mulher vai votar para presidente nas eleições deste ano, Jair Bolsonaro (PL) ou Lula (PT). Na sequência, quando a mulher responde que vai votar no candidato do PT, o homem diz: “Lula? Então ‘tá’ bom, ela é Lula, a partir de hoje não tem mais marmita. É a última marmita que vem aqui. A senhora peça para o Lula agora, beleza?”

O vídeo mostra que a moradora ainda perguntou se o homem estava falando a verdade, e ele confirma: “Verdade, sério. ‘Tá’ bom, gente? Aqui não vem mais marmita, ela vai pedir pro Lula, ‘tá’ bom?”

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Após a gravação do vídeo, Ilza ligou para a sobrinha nervosa, relatando o que havia acontecido, conta Greyce. 

“Ela achou que era brincadeira, mas não era, porque na outra semana ele não levou mais marmita. Ela até ficou esperando na outra quarta-feira para ver se vinha, mas não veio”, afirma.

Pedido de desculpas

Após a repercussão do caso, o empresário pediu desculpas pela gravação.

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“Eu sou o Cassio e estou aqui para pedir desculpas pelo vídeo, pela infelicidade de ter feito esse vídeo. Estou muito arrependido. Faz mais de dois anos que eu faço 60 marmitas toda quarta-feira e entrego para morador de rua e para essa senhora, e não é isso que vai fazer eu parar com esse trabalho meu”, afirmou em um vídeo nas redes sociais.

Repercussão

A situação gerou revolta nas redes sociais, e várias pessoas se mobilizaram para encontrar a mulher que aparece no vídeo e ajudá-la com doações. A cantora Daniela Mercury, a cantora Pablo Vittar e o humorista Antonio Tabet comentaram o ocorrido. 

O candidato Lula escreveu em seu Twitter: “A fome é culpa da falta de compromisso de quem governa o país. Negar ajuda para alguém que passa dificuldades por divergência política é falta de humanidade. Minha solidariedade com essa senhora e sua família. O Brasil vai voltar a ter dias melhores.”

O apresentador Luciano Huck também se manifestou e disse: “Fome não tem ideologia. Precisamos fortalecer o que nos une e não o que nos separa. Esta atitude ridícula é lamentável e desumana. Me ajudem a chegar nessa senhora, por favor? Quero ajudá-la. Vamos fazer uma corrente do bem pra ela?”

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se propôs a doar alimentos da Reforma Agrária, produzidos pelas famílias assentadas.