A Tesla surpreendeu o mercado automotivo global no dia 15 de outubro ao apresentar a nova geração do Roadster em uma base de testes da SpaceX no Texas, Estados Unidos. O protótipo protagonizou manobras impressionantes, subindo uma rampa, saltando, girando no ar e pousando sobre as rodas antes de sobrevoar uma Cybertruck e um caminhão Semi. No entanto, passado o impacto do espetáculo, a novidade veio acompanhada de inúmeros questionamentos técnicos, mudanças profundas em relação ao projeto original de 2017 e a confirmação de que a versão voadora mais extrema não será permitida em vias públicas.
A Tesla aposta em ventoinhas e propulsores para desafiar a física
Por trás da apresentação espetacular estão tecnologias adaptadas de outras áreas, como o uso de ventoinhas inspiradas na Fórmula 1 de 1978 — especificamente no bólido do Brabham BT46B —, projetadas para sugar o ar e colar o veículo ao chão com o dobro do próprio peso. Além disso, o superesportivo recorre a propulsores a gás frio desenvolvidos pela SpaceX, utilizando dez bicos e 600 litros de gás pressurizado para impulsionar o conjunto. O modelo foi dividido em três configurações distintas: a versão Performance de entrada, voltada para as ruas; a opção Thrust, equipada com quatro propulsores traseiros; e a topo de linha Rocket, que voa com dez propulsores e um tanque extra no lugar do passageiro, sendo comercializada apenas sob convite.
Promessas de desempenho extremo e muitos adiamentos na produção
A busca por desempenho radical, contudo, cobrou seu preço em termos de autonomia e praticidade, com a antiga promessa de baterias de 200 kWh e mais de 1.000 km de alcance sendo reduzida para cerca de 480 km para manter o peso do veículo sob controle. Engenheiros e analistas também expressam ceticismo quanto à viabilidade e segurança do empuxo gerado pelos tanques de gás pressurizado e à ausência de dados independentes que comprovem os números divulgados pela fabricante, como a arrancada de 0 a 100 km/h em 0,9 segundo na versão Thrust.
Com o design totalmente reformulado em relação ao conceito inicial e a produção adiada sucessivamente — agora prevista apenas para 2028 e sem preço oficial —, a Tesla enfrenta o desafio de convencer os consumidores dispostos a pagar os altos valores de reserva. Enquanto reguladores mantêm restrições severas contra veículos com propulsores a gás pressurizado nas ruas, o próprio Elon Musk já havia emitido um aviso direto aos potenciais compradores sobre os riscos associados à busca extrema por performance.
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