O governo federal decidiu manter por mais 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel rodoviário. O Ministério do Planejamento e Orçamento informou a decisão nesta terça-feira (27), e estima um custo de R$ 10,5 bilhões no período.
A renovação ocorre em meio à alta dos preços do petróleo no mercado internacional e à valorização do dólar, fatores que encarecem a compra de combustíveis no exterior e aumentam a pressão sobre o mercado brasileiro.
Diesel com subsídio de R$ 2,12
O subsídio de R$ 2,12 por litro foi formado em duas etapas. Em maio, o governo criou um benefício de R$ 1,12 por litro. Já em setembro, diante da piora do cenário internacional, acrescentou mais R$ 1 por litro, elevando a subvenção ao valor atual.
Para bancar a continuidade da medida, então, o governo pretende usar receitas extraordinárias ligadas ao petróleo. A estimativa da Fazenda é de que esses recursos somem R$ 67,5 bilhões em 2026, considerando fontes como imposto de exportação, venda de óleo e royalties.
Petróleo e dólar dificultam redução do apoio
O barril do Brent, referência internacional, seguia próximo de US$ 115 nesta terça-feira. Antes da escalada dos conflitos no Oriente Médio, o valor estava em torno de US$ 72. A cotação do dólar também pesa nessa conta. Como parte do diesel consumido no país vem do exterior, a valorização da moeda norte-americana aumenta o custo de importação.
Na semana passada, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) calculava uma diferença de R$ 3,50 por litro entre o preço praticado pelas refinarias da Petrobras e a paridade internacional.
Diesel importado recebe benefício adicional
Os importadores contam ainda com uma subvenção extra de R$ 1,40 por litro, elevando o apoio total para R$ 3,52 no caso do produto comprado fora do país. Esse benefício tem prazo próprio e vence em novembro. Segundo os números divulgados pelo governo, sua manutenção por 30 dias representa um gasto de aproximadamente R$ 1,6 bilhão.
A continuidade dos subsídios reduz parte da pressão imediata sobre os preços, mas amplia o custo fiscal. Por outro lado, uma eventual retirada dos benefícios em um cenário de petróleo e dólar elevados pode pressionar novamente o diesel e outros componentes ligados ao transporte.
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