O Brasil vive um crescimento sem precedentes no volume de carros elétricos nas ruas, principalmente de marcas chinesas, mas enquanto o avanço dos veículos eletrificados no país ainda está em fase de expansão, mercados mais maduros como China, Europa e Estados Unidos acumulam experiências que ajudam a antecipar desafios cruciais sobre o envelhecimento da frota e a sustentabilidade desse mercado nos próximos anos.
A forte desvalorização dos carros elétricos e a pressão na revenda
A China serve como principal exemplo dessa realidade, onde a retenção média de valor dos elétricos caiu para 42% no fim de 2025, fazendo com que cerca de 80% dos lojistas locais recusassem modelos com mais de cinco anos devido à rápida evolução tecnológica e à queda de mais de 10% no preço dos carros novos, uma tendência de desvalorização acelerada que também se repete na Europa, onde a IEA apontou queda na retenção de valor para 35% em 2025, criando um cenário de alerta para o Brasil com o ritmo acelerado de entrada de novos modelos eletrificados e incentivos fiscais.
Desafios de manutenção, desgaste de baterias e o futuro da reciclagem
Além da desvalorização, o avanço da frota esbarra na falta de preparo estrutural, como mostra dados do Sindirepa-PR indicando que cerca de 99% das oficinas associadas ainda não estão prontas para atender veículos eletrificados, exigindo capacitação urgente para lidar com sistemas de alta tensão e com a degradação natural das baterias identificada por levantamento da Geotab de janeiro de 2026 em cerca de 2,3% ao ano, o que tornará indispensável para o Brasil desenvolver uma cadeia completa de diagnóstico, reparo, reaproveitamento e reciclagem dessas baterias à medida que o mercado secundário amadurece.