O setor automotivo nacional vivencia uma transformação sem precedentes em seu volume de negócios e perfil de frota. Em um intervalo de apenas quatro anos, a venda de elétricos cresceu cerca de 20 vezes no Brasil, saltando de 8.460 unidades em 2022 para expressivos 165.820 emplacamentos acumulados até setembro de 2026. A aceleração desse mercado foi impulsionada pela chegada agressiva de marcas asiáticas, como BYD, Geely e GAC, que balançaram as estruturas de montadoras tradicionais ao oferecer veículos altamente equipados e com preços competitivos para os padrões locais, segundo o Jornal do Carro do Estadão.
A participação das fabricantes da China consolidou a liderança absoluta no segmento de modelos de emissão zero em todo o país. Apenas em setembro de 2026, a BYD deteve mais de 60% de participação de mercado na venda de elétricos, seguida pela Geely e pela GAC, que juntas somaram uma fatia expressiva das comercializações. A virada de chave no comportamento do consumidor teve início a partir de 2023, quando a estreia de modelos urbanos na faixa de R$ 150 mil democratizou o acesso à tecnologia e forçou uma recalibragem de preços em toda a indústria.
O avanço rápido do comércio levou as empresas asiáticas a iniciarem a montagem de veículos no Estado de São Paulo e em polos do Nordeste, como a fábrica da BYD em Camaçari, na Bahia. No entanto, a adoção de processos baseados no sistema SKD gerou intensos debates liderados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores e executivos como Igor Calvet. Entidades do setor defendem que o crescimento do consumo deve ser acompanhado pela efetiva nacionalização de peças, garantindo que o desenvolvimento tecnológico, os investimentos em autopeças e a geração de empregos qualificados permaneçam integrados à cadeia produtiva nacional.
Para os motoristas que aderiram à mobilidade sustentável, a concorrência ampliada trouxe benefícios claros, como maior autonomia de bateria e equipamentos antes restritos a veículos de luxo. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a rede nacional já conta com quase 30 mil pontos de recarga públicos e semipúblicos espalhados pelas principais rodovias e regiões metropolitanas do Sudeste. O grande gargalo para os próximos anos reside em garantir a expansão homogênea dessa infraestrutura, além do fortalecimento da rede de pós-venda para assegurar manutenção e peças de reposição de forma contínua em todo o território.