Reitor da USP diz que é importante considerar vacina como obrigação

As aulas presenciais serão retomadas em 14 de março e, segundo o dirigente, o espaço físico passou por adaptações para reduzir os riscos de transmissão da Covid-19

Reitor da USP diz que é importante considerar vacina como obrigação
O reitor disse, que para o retorno a universidade ampliou a ventilação nas salas de aula e prevê um esquema preferencial de refeições em espaços amplos (Créditos: Divulgação / Foto Marcos Santos/USP Imagens https://www5.usp.br/)

Carlos Gilberto Carlotti Junior, novo reitor da Universidade de São Paulo (USP), defendeu nesta quarta-feira (23), o passaporte de vacina na universidade, válido para todos os alunos, professores e servidores técnico-administrativos. As aulas presenciais serão retomadas em 14 de março e, segundo o dirigente, o espaço físico passou por adaptações para reduzir os riscos de transmissão da Covid-19.

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É a nossa opção. Temos um aplicativo de identificação em que já pode ser incluída a vacinação. É importante que consideremos a vacinação como obrigação”, afirmou ele em entrevista à rádio Eldorado. De acordo com ele, um “esquema especial” foi montado às pessoas que não possam por determinação médica receber a vacina contra a Covid-19.

O reitor disse, que para o retorno a universidade ampliou a ventilação nas salas de aula e prevê um esquema preferencial de refeições em espaços amplos. “Nosso objetivo é ter um ensino em 2022 melhor do que foi em 2019 (último ano inteiramente presencial). O corpo docente está preparado para fazer a transição”, garantiu.

“Todos os prédios e instalações deverão estar funcionado. É para ser presencial o ensino. O uso de alguma ferramenta mediada por tecnologia será complementar. A USP não é uma universidade de ensino a distância. É isso que nossos alunos estão esperando e o corpo docente também”, acrescentou Carlotti Junior, que é médico.

Ações afirmativas

Carlotti Junior, no campo das afirmativas, tem defendido maior diversidade de gênero para professores, ele disse inclusive que avalia adotar alguma ação afirmativa nesse sentidos e aperfeiçoar os sistemas de identificação dos cotistas (pretos, pardos e indígenas) com o objetivo de evitar fraudes.

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“Obviamente temos limitações e legislações para fazer algumas atividades, mas precisamos ter no corpo docente a mesma diversidade no corpo discente. Por isso, a preocupação que considere a diversidade de gênero e racial. Ainda não temos uma fórmula pronta, mas é um interesse da reitoria que isso seja representado. Isso deve ser feito com o processo natural, sem romper a excelência da universidade”, frisou. A USP tem 159 professores pretos ou pardos, o que representa 2,7% de 5.788 docentes.

A universidade vem adotando um sistema desde 2017, de cotas raciais para alunos de escola públicas no vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest). Há também vagas reservadas para estudantes oriundos de escolas públicas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que utiliza a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Pela primeira vez, em 2020, a instituição teve 50% de seus novos alunos vindos da rede pública de ensino.

Para o reitor, agora o maior desafio, é acabar com erros nos cadastros, já que o vestibular usa a autoidentificação dos candidatos cotistas. “Nesse período, tivemos quase duas centenas de casos de acusações de fraudes do nosso sistema. A denúncia acontece durante o curso e, muitas vezes, demora quatro, cinco anos até a apuração ser finalizada. O aluno, então, já vai ter deixado de frequentar a universidade após todo esse período”, disse. “Ao invés de tratar de forma punitiva o aluno que eventualmente tenha alguma fraude, trataremos isso desde o início.”

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Quando foi questionado de forma esse “julgamento” seria realizado, ele disse que por enquanto não tem um modelo definido. “O que utilizamos no nosso vestibular é uma descrição de fenótipo (características físicas). Você deve ter o fenótipo identificado para fazer parte das cotas. Acho que esse será o ponto de partida, mas estamos começando a discussão. Precisamos descrever isso melhor, mas pontuar ter um antepassado negro não garante o acesso. Isso é uma confusão feita por muitos os alunos”, exemplificou.

Em diversas universidades federais, é adotada uma estratégia das bancas de heteroidentificação, em que um comitê avaliador indica se o candidato à cota deve ou não ser contemplado com a ação afirmativa. Carlotti Junnior, não deu detalhes se esse é um modelo que a universidade paulista tem no horizonte.

“A maioria do que estamos chamando de ‘fraudes’ não é voluntária, é por não entender o processo. Vamos tomar o cuidado de não sermos exclusivos ao utilizar o fenótipo com uma característica muito acentuada, certamente vai ter uma gradação, especialmente com os pardos. Mas a universidade tem conhecimento, pessoas capacitadas para fazer essa postura, inclusive para que a sociedade utilize o que nós iremos definir”.

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