O processo de impeachment de Santiago Peña entra em uma nova etapa nesta sexta-feira (6), no Paraguai. O presidente terá espaço para apresentar sua defesa diante do Senado após a Câmara dos Deputados autorizar o avanço do julgamento político em meio à crise envolvendo o Ueno Bank.
A sessão está marcada para as 10h, no horário de Brasília. Peña, que havia renunciado o cargo na quinta-feira (5), poderá comparecer pessoalmente ou ser representado por sua equipe jurídica. Para retirar Santiago Peña da Presidência, o Senado precisa alcançar dois terços dos votos. Como a Casa possui 45 integrantes, a destituição exige o apoio de 30 senadores.
Impeachment no Paraguai
O Senado já recebeu as acusações apresentadas pela Câmara. Depois da defesa, os parlamentares ainda deverão examinar as provas das duas partes antes das alegações finais e da votação que definirá se Peña permanece no cargo. O presidente afirmou que pretende participar do processo e responder aos questionamentos apresentados contra ele.
“Considerando a continuidade do processo de impeachment, comparecerei e exercerei meu direito de defesa. Farei isso com argumentos e provas, respeitando a Constituição e as instituições da República. Cooperarei plenamente com as instituições competentes para esclarecer o ocorrido, apurar as responsabilidades e garantir que aqueles que infringiram a lei sejam levados à justiça”, escreveu.
Caso Ueno impulsionou crise política
O julgamento ganhou força após o colapso do Ueno Bank, instituição que entrou em processo de liquidação depois que o Banco Central do Paraguai identificou problemas em seus índices de solvência. A interrupção das operações deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso normal às contas.
O banco também administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores ligados ao sistema previdenciário. Peña manteve participação no grupo proprietário da instituição até o ano passado. A oposição usa essa ligação como um dos fundamentos das acusações de conflito de interesses e de possíveis favorecimentos ao banco.
Além disso, os parlamentares questionam decisões envolvendo recursos públicos e a atuação do governo diante da deterioração financeira da instituição. Durante a sessão na Câmara, a deputada de oposição Rocío Vallejo atacou a condução do presidente diante da crise.
“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, declarou. Peña contesta as acusações e afirma que os responsáveis por eventuais irregularidades deverão responder perante a Justiça.
Renúncia não encerrou o processo
Antes do avanço do impeachment, Peña anunciou que pretendia deixar a Presidência. Em uma mensagem divulgada nas redes sociais, justificou a decisão pela necessidade de preservar a estabilidade do país. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia ao cargo de Presidente da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas”, afirmou.
O Congresso, porém, não concluiu a análise da renúncia. Durante o procedimento, parlamentares do próprio partido de Peña deixaram a sessão, que perdeu o quórum. Com isso, o impeachment continuou. Parte da oposição também defendia o avanço do processo de destituição porque uma eventual renúncia poderia alterar a situação jurídica de Peña após sua saída do Executivo.
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