Márcio Canella (União Brasil) foi preso nesta quinta-feira (15), dez dias depois de conquistar uma nova cadeira na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Com 197.178 votos, ele terminou a eleição como o segundo deputado estadual mais votado do estado.
A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. Canella já havia sido alvo da investigação em julho, quando acabou detido em flagrante durante o cumprimento de uma ordem de busca.
Quem é Márcio Canella?
A trajetória política de Márcio Canella começou em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Em 2009, ele ocupou uma secretaria municipal e, em seguida, tornou-se vereador. Mais tarde, migrou para a política estadual e acumulou três mandatos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Em 2022, recebeu a maior votação entre os candidatos a deputado estadual do Rio de Janeiro naquele pleito. Dois anos depois, venceu a eleição para prefeito de Belford Roxo ainda no primeiro turno. A passagem pelo Executivo, porém, terminou em abril de 2026, quando renunciou ao cargo para tentar uma vaga no Senado.
A candidatura contava com apoio de Flávio Bolsonaro (PL) e tinha Rogéria Bolsonaro prevista como primeira suplente. Canella posteriormente desistiu da disputa e voltou a concorrer à Alerj. Na eleição deste ano, quase 68% dos votos que recebeu vieram de Belford Roxo.
O que a PF investiga na Operação Unha e Carne?
Segundo comunicado da Polícia Federal, a nova fase mira um grupo armado suspeito de usar empresas do setor de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para dar aparência legal a recursos de origem criminosa. Ademais, a investigação apura a participação de agentes públicos e conexões políticas no funcionamento do esquema.
Nesta etapa, então, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. As ordens alcançaram endereços no Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Além de Canella, foram presos o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Vinicius Amim Fernandes, os policiais civis Pablo Jukia Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, Giovanni Gaspar Fernandes e José Carlos Alves de Souza Júnior, bem como Christiano Gaspar Fernandes, secretário municipal de Ordem Pública de Belford Roxo.
As medidas judiciais também atingiram o patrimônio relacionado à investigação. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores e suspendeu as atividades econômicas de 112 empresas. De acordo com a PF, 96 delas são postos de combustíveis que teriam servido para movimentar e ocultar recursos.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, segundo informou a própria corporação. Os investigados poderão responder, de acordo com a responsabilidade atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Prisão anterior ocorreu em julho
Canella já havia enfrentado uma prisão durante outra etapa da Operação Unha e Carne. Na sexta fase, realizada em julho, agentes localizaram um fuzil calibre 5,56 no veículo em que ele estava.
A defesa declarou, na ocasião, que a arma pertencia ao policial militar responsável pela segurança do político e estava devidamente registrada. Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou sua soltura. Canella passou inicialmente a cumprir medidas cautelares, que posteriormente foram retiradas.
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