A União Europeia decidiu estabelecer um limite rígido de importação para veículos híbridos produzidos na China, fixando o teto em 350 mil unidades anuais a partir de 1º de dezembro de 2026. A medida de proteção de mercado representa um corte superior a 50% frente às projeções de entrada desse tipo de automóvel no continente, visto que a estimativa para o ano era de que o bloco importasse ao menos 800 mil modelos asiáticos. A decisão foi formalizada em reunião entre o comissário europeu para o comércio e segurança econômica, Maroš Šefčovič, e o ministro do comércio chinês, Wang Wentao, sob a justificativa de conter um déficit comercial insustentável.
As regras das cotas e o avanço dos veículos asiáticos na Europa
A nova regra protecionista terá validade inicial de quatro anos, prevendo um reajuste de 6% no volume permitido a cada período, o que ampliará a cota para 371 mil automóveis no segundo ano de vigência. A intervenção ocorre em um momento de forte aceleração nas remessas chinesas destinadas aos países-membros: segundo dados oficiais do Eurostat, a comunidade europeia importou 107 mil carros híbridos da China em 2024 e saltou para 302 mil unidades em 2025. Diante desse crescimento vertiginoso, autoridades do bloco afirmaram que a medida busca um reequilíbrio credível sem discriminar marcas asiáticas em relação a outras origens de importação.
Reações da indústria e a posição das entidades do setor
A repercussão do acordo obteve sinalizações positivas tanto de entidades locais quanto de autoridades de Pequim. A ACEA (Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis), entidade equivalente à Anfavea no Brasil, classificou o anúncio como um passo positivo para atenuar as tensões comerciais, destacando que “o aumento repentino e acelerado das importações de veículos elétricos híbridos plug-in e híbridos da China tem provocado um efeito desestabilizador no mercado automotivo europeu”. Por outro lado, o MOFCOM (Ministério do Comércio da China) manifestou aceitação ao acordo por garantir uma cota que não será inferior à de outros parceiros comerciais e que assegura a continuidade da expansão das marcas no continente.