Áudios da Ditadura

Hamilton Mourão ironiza possível investigação de militares por tortura na ditadura

Mourão afirmou “Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. [risos]. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”. O vice-presidente completou relatando que essa história faz parte do passado.

Hamilton Mourão ironiza possível investigação de militares por tortura na ditadura
Vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão (Crédito: Andressa Anholete/ Getty Images)

Na entrada do Palácio do Planalto, no Distrito Federal, o vice-presidente Hamilton Mourão ironizou nessa segunda-feira (18) a possibilidade de uma investigação de militares por torturas feitas na época da ditadura. Os jornalistas no local questionaram o general da reserva do exército sobre os áudios divulgados por Míriam Leitão. No conteúdo publicado pela jornalista no jornal “O Globo”, os militares comentam sobre as torturas em sessões do Superior Tribunal Militar (STM) na época da ditadura no Brasil.

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Segundo o G1, Mourão afirmou “Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô. [risos]. Vai trazer os caras do túmulo de volta?”. E completou relatando que essa história faz parte do passado.

“História, isso já passou, né? A mesma coisa que a gente voltar para a ditadura do Getúlio. São assuntos já escritos em livros, debatidos intensamente. Passado, faz parte da história do país”.

Para o vice-presidente é necessário conhecer a história e finalizou comentando dos excessos que ocorreram em todas as partes.

“É lógico, você tem que conhecer a História. A História, ela sempre tem dois lados ao ser contada. Então, vamos lembrar: aqui houve uma luta, dentro do país, contra o Estado brasileiro, por organizações que queriam implantar a ditadura do proletariado aqui. Era um regime que na época atraía, vamos dizer assim, uma quantidade grande da juventude brasileira e, também, parcela da sociedade, mas que perderam essa luta. Ah, houve excessos? Houve excesso de parte a parte.”

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Áudios Míriam Leitão

Neste domingo (17), a jornalista Míriam Leitão, trouxe a tona a existência de mais de 10 mil horas de áudios inéditos gravados pelo Superior Tribunal Militar (STM) entre 1975 e 1985. O conteúdo foi analisados pelo historiador Carlos Fico, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo apurado pela coluna de Míriam, os ministros que falam nos áudios comentam sobre episódios de torturas. Na sessão realizada em 24 de junho de 1977, o general Rodrigo Octávio Jordão Ramos relata que uma das acusadas que estava grávida, teve um aborto provocado por “choques elétricos no aparelho genital”. Outros casos também são comentados entre as extensas horas de gravação.

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