Moraes, do STF, autoriza PF a compartilhar provas de inquérito sobre Bolsonaro

Material adquirido em investigação sobre vazamento de dados sigilosos poderá ser usado em investigações sobre milícia digital bolsonarista

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O compartilhamento de provas foi pedido pela delegada Denisse Ribeiro, policial encarregada de uma série de investigações que têm como alvos Bolsonaro e se aliados. (Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o compartilhamento de provas do inquérito sobre o vazamento de dados sigilosos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com a investigação sobre fake news e a atuação de uma milícia digital contra as instituições brasileiras.

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O ministro atendeu um pedido da delegada Denisse Ribeiro, chefe do inquérito sobre o vazamento de dados sigilosos. Segundo Moraes, a demanda é válida porque pode haver semelhanças entre o modelo de atuação dos grupos investigados em cada inquérito.

“Verifico a pertinência do requerimento da autoridade policial, notadamente em razão da identidade de agentes investigados nestes autos e da semelhança do modus operandi das condutas aqui analisadas com as apuradas nos Inquéritos 4.874/DF e 4.888/DF, ambos de minha relatoria”, escreveu Moraes.

Vale ressaltar que a PF já concluiu que Bolsonaro cometeu crime ao vazar dados sigilosos de um inquérito da corporação sobre um ataque ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Contudo, a PF não indiciou o presidente alegando que ele possui foro privilegiado.

Além de publicar a íntegra do relatório preliminar em rede social, o presidente Jair Bolsonaro também distorceu dados da investigação durante uma live em suas redes sociais.

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Os dados dessa investigação serão compartilhados com a equipe de policiais que apura a atuação de uma milícia digital que desestabiliza e deslegitima a democracia e as instituições brasileiras. Entre os alvos, estão filhos e aliados próximos de Bolsonaro.

O jornalista Augusto Nunes, apoiador público de Bolsonaro, fez uma postagem em seu Twitter oficial comparando a atuação da delegada Denisse Ribeiro com a ‘Schutzstaffel’, organização paramilitar ligada ao Partido Nazista. No comentário, Nunes faz uma analogia com os dois ‘s’ do nome de Denisse com a sigla da organização nazista ‘SS’.