Professora de Filosofia é intimada por ‘doutrinação feminista’ na Bahia

Em nota, o Sindicato dos professores e a unidade escolar prestaram apoio à professora

Professora de Filosofia é intimada por 'doutrinação feminista' na Bahia
A intimação foi motivada por um boletim de ocorrência registrado por uma aluna e sua mãe. (Crédito: Reprodução/ Google Street View)

Uma professora de Filosofia do Colégio Estadual Thales de Azevedo, que fica no bairro do Costa Azul, em Salvador (BA), foi intimada pela polícia para prestar esclarecimentos sobre sua postura em sala de aula, sob a alegação de ensinar “conteúdos esquerdistas” e fazer “doutrinação feminista”. 

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A intimação foi motivada por um boletim de ocorrência registrado por uma aluna e sua mãe na Delegacia de Repressão a Crimes contra a Criança e o Adolescente (Dercca). Os nomes das envolvidas não foram divulgados pela Polícia Civil.

A motivação, segundo disse a mulher na delegacia, teria sido a hostilização sofrida por colegas na escola e o impedimento de participar de atividades em grupo, sob consentimento da professora. A Polícia Civil detalhou que só as investigações vão comprovar se as informações relatadas são verdadeiras.

Em nota oficial, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APBL) negou a versão da mãe da estudante e afirmou que o que motivou o registro do boletim de ocorrência foi o fato de a professora discutir temas como questões de  gênero, racismo, assédio, machismo e diversidade em sala de aula, classificado como “esquerdista”.

Segundo a APLB, trata-se de “tentativa de intimidação, coação e pressão psicológica por grupos de extrema direita, para reprimir a liberdade de expressão e tumultuar aulas e algumas atividades propostas pelos professores e professoras”.

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A entidade também relatou que, depois de receber a intimação policial, a professora ficou abalada emocionalmente, e precisou ser hospitalizada para atendimento médico de urgência. Tanto o sindicato, quanto o colégio prestaram apoio à docente.

Em posicionamento oficial, a escola repudiou a situação e afirmou que a intimação policial fere “a liberdade de cátedra e autonomia pedagógica, princípios constitucionais fundamentais”. A escola ainda afirmou que a intimação também “viola o direito profissional e o respeito ao trabalho docente em disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº9.394) e do Plano Nacional de Educação (Lei nº13.005)”. 

Caso de hostilidade 

A nota do sindicato ainda levantou que outros casos de “intimidação” haviam acontecido em agosto deste ano. Na ocasião, a mãe de uma estudante, a mesma que registrou o boletim de ocorrência contra a professora de Filosofia, interviu em uma aula de inglês remota.

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A APBL disse que a mãe “invadiu o espaço da aula online para inquirir e exigir explicações sobre a temática, que segundo ela seria inadequada por se tratar de feminismo”.