ROTAS DO FUTURO

Aviação no Brasil pode dobrar até 2045 e chegar a 233 milhões de passageiros, prevê Airbus

Recordes recentes de passageiros reforçam um cenário que também exigirá mais aeronaves e capacidade para atender à procura

Aviação
Aviação brasileira já bate recordes de passageiros, mas avanço previsto traz desafios para frota, infraestrutura e custos – Canva Equipes/Ahmed N’s Images

A aviação no Brasil pode alcançar uma dimensão muito maior nas próximas duas décadas. Segundo projeção da Airbus, o país deve passar de 114 milhões de passageiros transportados em 2025 para 233 milhões em 2045, avanço ligado principalmente ao crescimento econômico e ao aumento da população com renda disponível para viajar.

O cenário futuro começa a encontrar sinais nos números atuais. Entre janeiro e setembro de 2026, o mercado doméstico brasileiro movimentou 76,8 milhões de passageiros, recorde para o período desde o início da série histórica da Anac, em 2000.

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Aviação brasileira exigirá uma frota maior

Mais pessoas viajando também significa uma necessidade maior de aeronaves. Nas estimativas da Airbus, a quantidade de aviões de corredor único necessária para atender o mercado brasileiro pode avançar das atuais 459 unidades para 855 até 2045.

No segmento de aeronaves de dois corredores, usadas principalmente em trajetos de maior distância, a projeção aponta uma passagem de 133 para 236 unidades. A mudança deve acompanhar também uma maior frequência de viagens. Hoje, a média brasileira é de aproximadamente 0,5 viagem por habitante ao ano. Em duas décadas, a Airbus calcula que esse índice possa chegar a uma viagem anual por pessoa.

Arturo Barreira, presidente da Airbus para a América Latina e Caribe, associa esse movimento sobretudo às transformações econômicas da área. “O que vemos nos próximos 20 anos é um crescimento liderado pela expansão do PIB e das classes médias na região. O crescimento dos mercados domésticos será o combustível que vai animar essa alta global”, afirmou em entrevista ao ‘O Globo’. 

Recorde atual reforça avanço do transporte aéreo

Os números mais recentes mostram que a procura já está em trajetória de alta. Segundo dados da Anac compilados pelo Ministério do Turismo, o total de passageiros domésticos registrado até setembro ficou 3,4% acima do mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 74,3 milhões.

O movimento também aparece nas viagens internacionais. De janeiro a setembro deste ano, 22,7 milhões de passageiros utilizaram voos internacionais com origem ou destino no Brasil, crescimento de 7,2% na comparação anual. Setembro, isoladamente, também estabeleceu uma nova marca nesse segmento, com 2,3 milhões de passageiros internacionais.

Nordeste pode ganhar novas conexões internacionais

A dimensão territorial do país também abre espaço para novas rotas. A Airbus vê potencial especialmente em ligações diretas entre o Nordeste brasileiro e cidades europeias, utilizando aeronaves de corredor único com maior autonomia.

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Algumas dessas conexões já são exploradas por companhias internacionais, e a evolução tecnológica dos aviões pode ampliar as possibilidades de trajetos sem escalas nos próximos anos. Além do mercado de passageiros, o Brasil mantém participação industrial na estratégia da fabricante, com centros de manutenção e uma linha de montagem de helicópteros em Minas Gerais.

Crescimento encontra obstáculos no setor

A perspectiva positiva, contudo, vem acompanhada de desafios. Um deles está na própria capacidade de entregar novos aviões no ritmo exigido pelas companhias aéreas. Desde a pandemia, fabricantes enfrentam dificuldades para receber peças e componentes dentro dos prazos planejados. Na indústria aeronáutica, substituir fornecedores também exige certificações e padrões rigorosos de segurança.

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“Não é nenhum segredo que, desde a Covid-19, os problemas da cadeia de suprimentos não são exclusivos do nosso negócio, mas afetam praticamente qualquer indústria. Na indústria aeroespacial, o problema é um pouco mais complicado, porque não se cria um fornecedor de um dia para o outro. É preciso certificação e níveis rígidos de qualidade”, declarou Barreira.

Além disso, há pressões do lado do consumidor. Mesmo com o aumento no número de viajantes, as passagens aéreas subiram 9,66% em setembro, segundo dados citados pelo ‘Metrópoles’. O preço do querosene de aviação também permanece como um dos principais componentes de custo das companhias.

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América Latina acompanha tendência

O movimento projetado para o Brasil faz parte de uma transformação mais ampla na região. A Airbus calcula que a América Latina precisará de cerca de 2,7 mil novas aeronaves até 2045, das quais mais de 90% devem ser modelos de corredor único.

Um dos fatores por trás dessa perspectiva é o avanço da classe média latino-americana, que pode ganhar mais 100 milhões de pessoas nas próximas duas décadas e chegar a aproximadamente 500 milhões de habitantes. Nesse contexto, o transporte aéreo ganha importância não apenas para o turismo, mas também para a integração entre cidades separadas por grandes distâncias.

“Estamos em uma região onde não há alternativas ao transporte aéreo. Em alguns países, uma viagem que leva oito horas de carro é feita em 30 minutos de avião. O avião é uma parte fundamental para o desenvolvimento dos negócios e do turismo na nossa região”, concluiu Arturo Barreira.

*Leia também: Luto na aviação: Quem foi Lito Sousa?

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