A realização do Grande Prémio de Portugal de MotoGP movimentou significativamente a economia portuguesa ao gerar mais de 100 milhões de euros no Valor Acrescentado Bruto nacional. A conclusão faz parte de um levantamento detalhado elaborado pela consultoria EY-Parthenon a pedido da Parkalgar, empresa responsável por gerir o Autódromo Internacional do Algarve. Segundo os dados apresentados, a competição automobilística no circuito de Portimão somou 102 milhões de euros ao Produto Interno Bruto do país, direcionando 56 milhões de euros de forma direta para a região do Algarve. O evento reuniu um público estimado em 166 mil entradas e recebeu torcedores vindos de 70 países diferentes, sendo 40% de público estrangeiro. O CEO do Autódromo Internacional do Algarve, Jaime Costa, destacou a relevância estratégica da prova para a economia local. “A realização da prova em época baixa permite gerar procura turística num período crítico para a região, ao mesmo tempo que reforça a projeção internacional do destino e beneficia um conjunto alargado de empresas de turismo e serviços”.
MotoGP Portugal impulsiona emprego e atrai público internacional
Arrecadação fiscal e movimentação no setor hoteleiro
O volume financeiro movimentado pela competição refletiu-se diretamente no mercado de trabalho e na arrecadação pública do país. O estudo aponta que o evento impulsionou a geração de 2.024 postos de trabalho equivalentes a tempo inteiro, além de render 43 milhões de euros em salários e 35 milhões de euros em receitas fiscais para o governo. Apenas as despesas efetuadas pelos torcedores responderam por 94 milhões de euros do montante total do VAB, sustentando 1.879 vagas e gerando mais de 32 milhões de euros em impostos. A maior parcela do público presente veio do próprio território português, representando 60% do total de espectadores, seguido por França com 12% e Espanha com 8%. Entre os visitantes vindos de fora do continente europeu, destacaram-se os fluxos provenientes dos Estados Unidos, do Canadá e do Brasil.
O perfil predominante do turista estrangeiro na etapa foi identificado como um homem francês, com idade entre 56 e 65 anos, acompanhado e com ingressos para os três dias de evento, enquanto o público interno foi composto majoritariamente por homens de Lisboa na faixa entre 46 e 55 anos. A duração média de estadia no setor hoteleiro teve papel fundamental para aquecer o comércio de Portimão e de Lagoa. Os turistas oriundos da Finlândia lideraram o tempo de permanência com média de 7,4 noites, seguidos pelos visitantes da Dinamarca com 7 noites, do Luxemburgo com 6,7 noites e da Alemanha com 6 noites. No quesito gastos individuais, a maior média de despesa por pessoa foi registrada pelos dinamarqueses com 3.732 euros, seguidos por representantes da Suécia com 2.636 euros e da Colômbia com 2.583 euros.
Os segmentos de hospedagem e alimentação fora do circuito consolidaram-se como as principais frentes de consumo do público, registrando valores médios de 438 euros e 326 euros por torcedor, respectivamente. Essa injeção de capital fez com que as redes hoteleiras das cidades vizinhas alcançassem patamares de ocupação substancialmente superiores às suas médias anuais habituais. A combinação entre alto volume de gastos e permanência estendida reforça a importância de atrações esportivas globais para a consolidação turística fora da alta temporada. Com isso, os indicadores confirmam que o engajamento de fãs de dezenas de nacionalidades consolida o circuito como um dos motores do desenvolvimento regional.