A adulteração de hodômetros em veículos seminovos é uma prática global que atinge cerca de 50% dos automóveis na Europa e pode chegar a 80% no Brasil. Para conter fraudes de quilometragem e proteger o consumidor na compra de seminovos, a União Europeia aprovou normas que exigem o passaporte da bateria (Battery Passport) para todos os veículos elétricos e híbridos novos a partir de fevereiro de 2027. O sistema funciona como uma espécie de documento de identidade do componente, registrando seu desgaste real e histórico operacional.
O registro digital será acessado por meio de um QR Code fixado no automóvel, contendo informações essenciais sobre o Estado de Saúde (SoH), pegada de carbono, composição química e histórico de recargas efetuadas. A tecnologia impede que vendedores omitam o desgaste provocados por recargas ultra-rápidas frequentes ou por adulterações no painel. No Brasil, a exigência ainda não é regulamentada por lei, mas projetos como a Política Nacional de Circularidade das Baterias (PNCB) já tramitam para rastrear o ciclo de vida dos componentes do fabrico ao descarte.
Diagnósticos especializados e avaliação pré-compra no Brasil
A bateria representa o item de maior valor em um automóvel elétrico, influenciando diretamente o valor de revenda e a autonomia real do veículo. Enquanto a legislação do passaporte da bateria não desembarca no país, a orientação de especialistas do Jornal do Carro do Estadão é realizar diagnósticos técnicos especializados antes de fechar o negócio. Aparelhos de varredura eletrônica conectados ao sistema de gerenciamento da bateria analisam células e sensores, gerando laudos que comparam a condição do veículo com bancos de dados globais de testagem.