
Os entregadores que trabalham para plataformas digitais têm se organizado em diversas cidades do Brasil para protestar contra a precarização das condições de trabalho. A mobilização visa chamar a atenção para a necessidade de melhorias nas condições de trabalho e remuneração. Em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, as manifestações têm ganhado destaque, com ações que incluem protestos e reuniões com representantes das empresas de aplicativos.
Em São Paulo, por exemplo, os entregadores se reuniram em frente ao escritório do iFood para exigir melhores condições de trabalho. A categoria reivindica, entre outras coisas, uma remuneração justa e condições mínimas de segurança durante as entregas. A mobilização também busca conscientizar os estabelecimentos para evitarem realizar pedidos por meio dos aplicativos durante os protestos.
Quais são as principais reivindicações dos entregadores?
Os entregadores de aplicativos têm uma lista clara de reivindicações que buscam melhorar suas condições de trabalho. Entre os principais pontos estão:
- Taxa mínima de R$ 10 para corridas de até 4 quilômetros.
- Aumento do valor por quilômetro para R$ 2,50.
- Limitação das entregas com bicicletas a um raio máximo de 3 km.
- Pagamento integral de taxa por cada pedido, mesmo em entregas agrupadas.
Essas demandas refletem a insatisfação dos trabalhadores com as condições atuais, que muitas vezes não garantem uma renda suficiente para cobrir despesas básicas ou investir em equipamentos de segurança.
Impacto das manifestações no setor de bares e restaurantes
A paralisação dos entregadores, conhecida como “Breque dos Apps”, teve um impacto significativo no setor de bares e restaurantes. Conforme a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel SP), estabelecimentos que dependem exclusivamente do iFood enfrentaram uma queda de 100% nas entregas durante a paralisação. Aqueles que utilizam múltiplas plataformas também sentiram um impacto, com uma redução de 70% a 80% nas entregas.
Por outro lado, estabelecimentos que possuem frota própria de entregadores relataram um aumento na demanda, o que demonstra a dependência significativa do setor em relação aos aplicativos de entrega.

Como as empresas de aplicativos estão respondendo às manifestações?
O iFood, uma das principais plataformas de entrega no Brasil, afirmou que está monitorando as manifestações e buscando manter suas operações. A empresa se reuniu com representantes dos entregadores para discutir as demandas apresentadas e se comprometeu a fornecer respostas às lideranças do movimento.
Essa abertura ao diálogo é vista como um passo importante, mas os entregadores continuam pressionando por ações concretas que atendam suas reivindicações e melhorem suas condições de trabalho.
Mobilizações em outras regiões do Brasil
Além de São Paulo, outras regiões do Brasil também têm visto mobilizações significativas. No Rio de Janeiro, por exemplo, a polícia foi chamada para intervir em um protesto na zona norte da cidade, resultando na detenção de alguns manifestantes. Em Brasília, cerca de 1,5 mil motociclistas participaram de manifestações, destacando a adesão de 70% da categoria.
Essas mobilizações refletem um movimento crescente de trabalhadores que buscam melhores condições de trabalho e maior reconhecimento por parte das empresas de aplicativos e do governo.
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