O ator e comediante britânico Russell Brand, de 51 anos, foi considerado culpado por estupro e por três agressões sexuais nesta quinta-feira (5), em Londres. Após o veredicto, o juiz Joel Bennathan afirmou que ele poderá enfrentar uma “pena de prisão significativa”.
O julgamento durou quatro semanas no Tribunal da Coroa de Southwark, onde o júri anunciou os veredictos nesta quinta-feira. Brand negou todas as acusações e sustentou que os episódios foram consensuais ou apresentados de maneira incorreta.
O que decidiu o júri?
O júri analisou sete acusações: três casos de estupro, três de agressão sexual e uma tentativa de atentado ao pudor. Brand recebeu condenação em quatro delas: um estupro e três agressões sexuais. Nas outras duas acusações de estupro e na tentativa de atentado ao pudor, o júri o absolveu.
Após a decisão, o juiz informou que Brand permaneceria sob custódia até a definição da sentença, prevista para segunda-feira. Segundo a ‘NBC News’, a legislação britânica prevê prisão perpétua como pena máxima para estupro. No caso de uma condenação individual por agressão sexual, a punição pode chegar a dez anos.
Denúncias envolvem casos entre 1999 e 2009
Os episódios levados ao tribunal abrangem um período de dez anos, justamente quando Brand aumentava sua projeção como comediante, apresentador de televisão e ator. As seis denunciantes prestaram depoimento ao longo do processo e, pela legislação britânica, têm suas identidades preservadas.
As denúncias chegaram à polícia de forma independente. De acordo com a ‘Reuters’, nenhuma das mulheres tinha contato com as demais, e a procura pelas autoridades ocorreu após a repercussão de investigações jornalísticas divulgadas em 2023.
Entre os episódios que resultaram em condenação está o estupro de uma mulher que conheceu Brand após uma apresentação em 2009. O júri também o condenou por três agressões sexuais ocorridas entre 2004 e 2009, em situações distintas.
Russell Brand negou crimes durante julgamento
Ao depor, Brand reconheceu comportamentos sexuais que hoje considera inadequados durante os anos de maior fama, mas manteve a posição de que não teve relações sem consentimento. “Fui persuasivo, sedutor, implorei e flertei, e dediquei grande parte da minha vida ao que agora me parece mais do que uma infidelidade imprudente e uma idiotice”, afirmou.
“Eu estava numa posição de fama. À medida que me tornava mais bem-sucedido e famoso, sentia-me muito à vontade para permitir que isso facilitasse o acesso sexual, o que concordo que foi errado”, complementou.
Durante o depoimento, ele voltou a defender que consentimento era indispensável em seus relacionamentos: “O consentimento é fundamental, essencial, necessário e, de fato, mais importante do que o próprio sexo.”
Polícia se manifesta após condenação
Depois do veredicto, a Polícia Metropolitana de Londres afirmou que Brand utilizou sua posição pública para cometer crimes contra mulheres. “À medida que sua fama crescia, também crescia seu senso de privilégio”, declarou o superintendente detetive Andy Furphy, em comunicado.
Ademais, o policial destacou a participação das denunciantes no processo. “Apesar do intenso escrutínio da mídia e do público, elas reviveram experiências profundamente pessoais e traumáticas e depositaram sua confiança em nós. Sem a bravura delas, esse desfecho não teria sido possível”, disse.
Carreira de Russell Brand
Russell Brand ganhou projeção no Reino Unido como comediante e apresentador antes de seguir para Hollywood. Entre seus trabalhos no cinema estão ‘Forgetting Sarah Marshall’, ‘Get Him to the Greek’ e ‘Arthur’.
Nos Estados Unidos, sua vida pessoal também ganhou atenção durante o casamento com a cantora Katy Perry. Os dois se casaram em 2010 e se divorciaram em 2012. Nos últimos anos, Brand passou a concentrar sua atuação em plataformas digitais.
*Leia também: Ex-marido acusa Halle Berry de agredir o filho: ‘Não era a primeira vez’
Siga a gente no Google Notícias