BBC e CNN anunciam paralisação de operações na Rússia após lei sobre “fake news”

A lei prevê até 15 anos de prisão para quem divulgar “fake news” sobre ações dos militares russos na Ucrânia

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Outros quatro veículos internacionais anunciaram paralisações da cobertura na Rússia. (Crédito: Canva Fotos)

Horas depois da Rússia anunciar restrições à cobertura sobre a invasão na Ucrânia, veículos de imprensa internacionais disseram que vão paralisar as operações no país até segunda ordem. 

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A emissora britânica BBC foi a primeira e disse que vai suspender temporariamente o trabalho de todos os jornalistas e de funcionários de apoio em solo russo. A medida foi tomada depois que deputados da Rússia aprovaram um projeto de lei que prevê até 15 anos de prisão para quem divulgar “fake news” sobre ações dos militares russos na Ucrânia, informou o UOL. 

O diretor-geral da BBC, Tim Davie, disse em comunicado, publicado pela Reuters,  que a legislação parece criminalizar o processo de jornalismo independente. Por isso, segundo o executivo, não há outra opção a não ser suspender o trabalho dos jornalistas até que seja possível entender as implicações do “desenvolvimento indesejável”. 

A rede americana CNN também disse que deixará de transmitir na Rússia, enquanto avalia a situação. A informação foi confirmada por um porta-voz da empresa à Reuters. 

Governo russo restringe acesso a portais de notícias estrangeiros

A BBC e a Deutsche Welle, além de outros sites internacionais, tiveram o acesso restringido pelo governo russo. O argumento do órgão regulador russo é que essas empresas divulgam notícias falsas sobre a guerra na Ucrânia.

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Em reação, a BBC News disse que vai continuar o espaço para disponibilizar o site na Rússia e no resto do mundo.

Entenda a invasão da Rússia à Ucrânia

A Ucrânia foi invadida pela Rússia na quarta-feira (23). O exército russo avança pelas regiões da fronteira em direção às principais cidades ucranianas. Kiev e Kharkiv são os principais alvos das tropas russas. 

O exército russo também ganha terreno no litoral e já conquistou pelo menos uma cidade portuária. 

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Um dos fatores que desencadeou o conflito foi a possibilidade da Ucrânia entrar na OTAN, aliança militar do Ocidente. O presidente russo Vladimir Putin não admite a possibilidade e exige que a Ucrânia se comprometa a nunca entrar na organização. 

O líder russo também argumenta que está realizando uma “operação especial” para proteger os russos que vivem em território ucraniano. Ao mesmo tempo, Putin diz que a Ucrânia está sob controle estrangeiro e que não merece ser um país independente.

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