REVOLTAS NO IRÃ

Manifestantes no Irã ateiam fogo na antiga casa do fundador da república islâmica

Agência de notícias do país nega que houve qualquer incêndio, mas imagens gravadas no meio dos protestos mostram outra versão.

Confira os ângulos da cena que foram divulgados na internet. (Reprodução/Redes sociais)

Imagens começaram a circular nas redes sociais mostrando manifestantes no Irã marchando em frente à antiga casa do aiatolá Ruhollah Khomein, fundador da atual república islâmica do país, enquanto o local pega fogo. A residência havia sido transformada num museu em homenagem à criação do governo teocrático iraniano.

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A Tasnim, agência de notícias semioficial local (o órgão tem ligações com a Guarda Revolucionária Islâmica, exército do Irã), noticiou que de fato o local foi alvo de repúdio e concentrações de manifestantes, mas negou que tenha sido ateado fogo.

No entanto, pelo menos três vídeos que começaram a circular na mídia ocidental essa semana mostram o contrário. Ainda não se sabe quando essas imagens foram gravadas, pois a internet no país foi cortada pelo governo para isolar as revoltas populares, o que dificultou o trabalho de identificar as origens desses vídeos que, de alguma forma, furaram esse “bloqueio”.

Em uma das cenas, de acordo com o Centro Independente de Direitos Humanos do Irã, os manifestantes gritam “Mulás, caiam fora!”, sendo ‘mulá’ o título dado no país para os clérigos islâmicos.

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Os ativistas da rede 1500Tasvir, que faz oposição ao governo, afirmam que o incêndio ocorreu na noite de quinta-feira (17) na cidade de Khomein, ao sul de Teerã.

Por outro lado, a identificação de que os episódios se passam no mesmo local é possível por meio de comparações entre os edifícios mostrados nas cenas gravadas e imagens de arquivos do museu e seus arredores disponíveis na internet.

Em comunicado, a Tasmin alegou que os relatos são mentirosos e as portas do museu do “fundador da grande revolução estão abertas ao público.”