Bolsonaro atuou para trocar termo Golpe de 64 por Revolução em questões do Enem

Servidores afirmam que o pedido tem o objetivo de deixar a prova com a ‘cara do governo’

Bolsonaro atuou para trocar termo Golpe de 64 por Revolução em questões do Enem
(Crédito: Andressa Anholete/Getty Images)

O desejo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de deixar o Enem com a “cara do governo” incluiu um pedido, feito ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, para que houve questões que tratassem o Golpe Militar de 1964 como uma Revolução.

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Às vésperas do exame, o governo passa por uma crise que envolve denúncias de interferência em conteúdo e assédio moral de servidores.

O pedido de Bolsonaro teria ocorrido no primeiro semestre, segundo relatos de integrantes do governo.

Ribeiro chegou a comentar a fala com equipes do MEC (Ministério da Educação) e do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), mas não levou o pedido adiante de modo prático, uma vez que os itens passam por longo processo de elaboração.

Capitão reformado, Bolsonaro é defensor da ditadura militar (1964-1985), elogia torturadores e tem histórico de criticar o Enem por uma suposta abordagem de esquerda.

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Após denúncias de interferência na prova por parte dos servidores, ele disse nesta semana que o exame começava a ficar com a “cara do governo” e voltou a criticar a prova.

A visão de Bolsonaro contaria os fatos e a historiografia, que apontam o movimento de 1964 como um golpe militar ou civil-militar, na visão de alguns historiadores.

Desde 2019, primeiro ano do atual governo, nenhuma questão sobre o a ditadura caiu no Enem —de modo inédito desde que o exame é aplicado. Questionados, MEC, Inep e Palácio do Planalto não responderam.

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Por causa da pressão por uma prova com a “cara do governo”, servidores envolvidos com o Enem classificam o clima atual como desesperador: há temor com relação a possíveis perseguições e punições caso o exame desagrade Bolsonaro.

No último Enem, por exemplo, o presidente criticou uma questão que falava da diferença salarial entre os jogadores Neymar e Marta. Para ele, o tema seria ideológico.

Nas redes sociais os comentários sobre a situação já estão sendo feitos:

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José Guimarães

Deputado federal e vice presidente nacional do PT, José Guimarães disse: ”Gravíssima a denúncia de que Bolsonaro teria pedido para tratar o Golpe Militar como “Revolução” no Enem. É absurda a interferência do governo na prova e inaceitável que ainda se defenda a ditadura e seus ditadores. #DitaduraNuncaMais”

Orlando Silva

O deputado federal Orlando Silva, disse: ”ESCÂNDALO!!! Bolsonaro exigiu que servidores trocassem o termo “Golpe de 1964” por “revolução” em questão do Enem. Essa tentativa ilegal de reescrever a história não cola. Nosso povo tem ódio da ditadura e aprendeu a valorizar a democracia. Ditadura nunca mais! #ForaBolsonaro”

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