O setor de transporte pesado de cargas no Brasil tem buscado alternativas para reduzir a dependência do diesel nos caminhões, encontrando no GNV (Gás Veicular Natural) e no biometano uma rota promissora. Impulsionado por motores ciclo Otto de alta potência e torque desenvolvidos por marcas como Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Iveco, o mercado de caminhões a gás saiu do zero em 2019 e já acumula mais de 3 mil unidades em circulação. Com uma configuração de cilindros apelidada de “mochilão” instalada atrás da cabine, esses veículos conseguem alcançar autonomias de até 650 km nas rodovias.
Apesar de entregarem a mesma performance de seus similares a diesel e apresentarem um nível de ruído até 20% mais baixo, a presença desses veículos pesados nas estradas ainda desperta dúvidas e mitos sobre segurança. Entre as principais vantagens operacionais está a possibilidade de utilizar o biometano, combustível renovável gerado a partir de resíduos orgânicos, como lixo urbano, restos da produção sucroalcooleira e dejetos animais. Quando adotado em larga escala, o biogás limpo consegue evitar a emissão de até 90% de carbono para a atmosfera considerando todo o ciclo produtivo.
No que diz respeito à segurança, especialistas esclarecem que os temores sobre explosões em colisões ou postos de abastecimento são infundados para veículos produzidos de fábrica. Os cilindros utilizados nesses modelos seguem rigorosas normas internacionais, como a regulação UN R110, e são fabricados com ligas metálicas altamente resistentes a impactos e calor. Além disso, o sistema conta com válvulas de segurança redundantes projetadas para liberar o gás de forma controlada em situações críticas de incêndio, garantindo a confiabilidade da tecnologia nas operações logísticas de grande porte.