A disputa comercial entre a indústria automotiva dos Estados Unidos e as fabricantes asiáticas avançou para a esfera legislativa. Após a aplicação de pesadas alíquotas de importação sobre produtos asiáticos, grandes montadoras do mercado ocidental intensificaram o lobby no Congresso americano. O objetivo das empresas tradicionais é aprovar uma lei federal para proibir integralmente a circulação e venda de carros chineses em todo o território norte-americano, segundo o Jornal do Carro do Estadão.
A ofensiva é liderada pela Alliance for Automotive Innovation, entidade que representa companhias como General Motors, Volkswagen e Toyota. Sob a liderança do executivo John Bozzella, a associação exige que os parlamentares votem o banimento logo após o encerramento do período eleitoral das midterms. O setor fundamenta o pedido em riscos de segurança nacional, alegando que os softwares de veículos conectados têm capacidade de coletar e transmitir dados sensíveis de motoristas para o exterior, além de apontar concorrência desleal por subsídios do governo chinês.
O cerco regulatório contra as marcas orientais conta com apoio de democratas e republicanos. Paralelamente às discussões no Senado, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos já determinou regras rígidas contra a conectividade asiática, veto que passa a valer para automóveis a partir do ano-modelo 2027 e alcança componentes eletrônicos em 2030, independentemente do local de montagem do veículo.
As sanções criam barreiras severas para a expansão global das marcas chinesas e tentam blindar o mercado interno. O movimento político ocorre mesmo após declarações do presidente eleito Donald Trump, que acenou com a possibilidade de autorizar a instalação de fábricas asiáticas em solo americano, desde que gerem empregos locais. A pressão das montadoras instaladas no Ocidente busca garantir proteção ao mercado consumidor antes da popularização em massa dos modelos eletrificados do oriente.