Os condutores criaram uma linguagem própria com gestos e alertas informais nas rodovias brasileiras para facilitar a convivência diária e aumentar a segurança nas pistas de rolamento. Embora as estradas contem com placas tradicionais, painéis luminosos eletrônicos e sinalizações obrigatórias que são essenciais para a organização viária, esses recursos oficiais não são os únicos meios de comunicação utilizados no cotidiano do trânsito. Esse conjunto de sinais paralelos funciona como um verdadeiro dialeto dos motoristas e ajuda a evitar colisões traseiras, organizar ultrapassagens perigosas e agradecer gentilezas. Como muitos condutores ainda não sabem exatamente como decifrar esses avisos informais, o Jornal do carro do Estadão reuniu as principais sinalizações para que qualquer motorista aprenda a utilizá-las e identificá-las corretamente durante as suas viagens.
A forma de comunicação mais popular e tradicional do trânsito urbano e rodoviário é a famosa buzina dupla rápida. Certamente a maioria das pessoas já presenciou ou utilizou esse recurso sonoro recentemente ao volante de um automóvel. O objetivo do toque duplo e rápido na buzina é extremamente simples e serve especificamente para agradecer uma gentileza na pista sem que o condutor precise usar palavras, funcionando como o famoso obrigado visual e sonoro entre os motoristas. Outro sinal vital é o uso do pisca-alerta em movimento, que nas rodovias ganha um papel crucial na prevenção de acidentes graves. Os motoristas acionam as luzes de emergência de forma temporária para alertar quem vem atrás sobre perigos imediatos logo à frente, como congestionamentos repentinos, neblina ou freadas bruscas, lembrando que alguns automóveis modernos já ativam esse sistema de forma automática em desacelerações violentas.
Na faixa da esquerda, o uso da seta para a esquerda ou o farol piscando repetidamente é o sinal padrão adotado por condutores que pedem passagem para os veículos que trafegam de forma mais lenta. Segundo as diretrizes do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), a faixa da esquerda serve exclusivamente para a realização de ultrapassagens e para a circulação dos veículos de maior velocidade, embora essa regra nem sempre seja respeitada na prática do dia a dia. Para sinalizar a intenção clara de passar, basta piscar os faróis ou manter a luz de seta esquerda ligada até que o veículo da frente se desloque para a faixa da direita com segurança.
Existe também um recurso colaborativo muito conhecido nas estradas como seta amiga, que auxilia especificamente na manobra de ultrapassagem em rodovias de pista simples, locais onde caminhões e ônibus longos costumam bloquear completamente a visão dos motoristas de carros pequenos que vêm logo atrás. Para ajudar o condutor que deseja passar, os motoristas desses veículos pesados usam as luzes de direção para indicar as condições em tempo real da via contrária. Quando o caminhão aciona a seta para a esquerda, ele sinaliza que há perigo vindo na direção oposta e que o motorista de trás não deve ultrapassar. Já quando o caminhoneiro liga a seta para a direita, ele indica que a pista contrária está livre e a ultrapassagem é segura. Embora essa sinalização informal ajude bastante, a responsabilidade final da manobra é sempre de quem está ultrapassando.
Por fim, o dialeto das pistas traz um sinal que é uma exclusividade dos motociclistas que rodam pelas rodovias do país. Ao avistar outras motos e carros trafegando no sentido oposto da via, o condutor dá leves batidas com a mão no topo do próprio capacete. Esse gesto característico do segmento das duas rodas serve para alertar o colega de estrada sobre a presença próxima de radares móveis, comandos policiais, acidentes recentes ou perigos diversos na pista logo adiante, permitindo uma redução preventiva da velocidade.