A Tesla encerrará a fabricação da Cybertruck em sua unidade de Austin, no Texas, em meados de 2027. Elon Musk anunciou a mudança nesta sexta-feira (6), depois de a picape elétrica registrar vendas muito abaixo da projeção feita pelo executivo no início do projeto.
Segundo informações da ‘Reuters’, a montadora pretende usar a capacidade industrial que ficará disponível para ampliar a fabricação do Cybercab. A empresa, contudo, ainda não informou se a Cybertruck será transferida para outra fábrica ou deixará definitivamente de ser produzida. Musk chamou o veículo de “o melhor veículo que a Tesla já fez” e definiu a mudança como “o fim de uma era”.
Cybertruck ficou distante da projeção de vendas
Quando a produção começou, em 2023, Musk projetava alcançar 250 mil unidades por ano. O desempenho comercial, no entanto, ficou muito abaixo dessa expectativa. Nos Estados Unidos, a Tesla vendeu 20.237 Cybertrucks no ano passado, segundo dados da Kelley Blue Book.
Em 2024, haviam sido 38.965 unidades. A diferença representa uma queda de 48%. De acordo com Andy Palmer, ex-CEO da Aston Martin, em entrevista à ‘Reuters’, os números ajudam a explicar a decisão da companhia.
“Não faz sentido continuar com o projeto quando ele não está atingindo suas metas. Qualquer pessoa racional do ramo automotivo diria o mesmo. Sem dúvida, será apenas um erro de arredondamento no balanço patrimonial da Tesla, mas as estatísticas falam por si”, esclareceu.
Recalls e design limitaram trajetória da picape
Além do desempenho comercial, a Cybertruck enfrentou problemas desde a chegada ao mercado. A Tesla realizou 11 recalls relacionados ao modelo desde o fim de 2023, de acordo com dados da Administração Nacional de Segurança Rodoviária dos Estados Unidos (NHTSA).
Alguns defeitos exigiram reparos nos veículos. Outros puderam ser corrigidos por meio de atualizações de software. O formato angular e a carroceria de aço inoxidável, características centrais do modelo, também dificultaram a entrada da picape em outros mercados.
Na Europa, normas de segurança relacionadas à proteção de pedestres impediram a aprovação do veículo. “Em qualquer lugar onde haja regulamentação de segurança que leve em consideração o impacto em pedestres, a Cybertruck não vai, não pode ir”, afirmou Palmer.
Tesla passa a priorizar o Cybercab
A mudança em Austin acompanha uma transformação mais ampla nos planos de Musk para a Tesla. O executivo tem aumentado o foco da companhia em direção autônoma, inteligência artificial e robótica. Nesse cenário, então, aparece o Cybercab, veículo de dois lugares desenvolvido para operar como robotáxi. O modelo não possui volante, pedais ou espelhos retrovisores.
A Tesla começou a oferecer corridas pagas com uma pequena frota em Austin, em setembro. A operação ainda está em fase inicial e também passou a ser analisada pela NHTSA, que abriu uma auditoria sobre o processo de certificação do veículo.
Em seu perfil no X, Wes Morrill, engenheiro-chefe da Cybertruck, relacionou os dois projetos ao comentar a mudança: “O Cybertruck foi uma plataforma incrível para o desenvolvimento de tecnologia e continua vivo através do Cybercab.”
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