*Por Pablo de La Fuente

Bolsonaro, Argentina e os extraterrestres

Em post no Twitter, Bolsonaro critica o uso da linguagem neutra pela Argentina e pergunta: “No que isso ajuda o povo?”

Bolsonaro critica uso da linguagem neutra na Argentina.
(Crédito: Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) escreveu hoje no seu Twitter: “Lamento a oficialização do uso da “linguagem neutra” pela Argentina. No que isso ajuda o seu povo? A única mudança provocada é que agora há “desabastecimente”, “pobreze” e “desempregue”. Que Deus proteja os nossos irmãos argentinos e os ajude a sair dessa difícil situação”

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Os últimos governos da Argentina se empenharam em destruir a economia. Nos últimos meses, houve “desabastecimente” de produtos pela inflação “imparável” (5,3% em junho) e a escassez de dólares. A pobreza alcançou 42% da população pelos impactos da Covid-19, enquanto o Brasil já atingia 33%.

Mas, mesmo nesse processo de crise permanente, ainda há indicadores de que a qualidade de vida dos “hermanos” é melhor do que a dos brasileiros. Um deles é, precisamente, um dos mencionados por Bolsonaro, o desemprego, chega a 7% na Argentina e 9,3% no Brasil.

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O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pela ONU a partir de um conjunto de indicadores socioeconômicos, foi em 2019 de 0,845 na Argentina, contra 0,765 no Brasil (quanto mais perto de 1 o IDH, melhor é o desenvolvimento do país). A expectativa de vida de um argentino ao nascer em 2020 era de 76,81 anos, contra 76,08 dos brasileiros, segundo dados recopilados por countryeconomy.com.

O PIB per capita de Argentina em 2021 foi de 9072 euros contra os 6359 de Brasil. E a taxa de homicídios é de 20.86 por cada 100.000 habitantes no Brasil contra 5,12 na Argentina.

Se um extraterrestres buscasse um lugar para viver, sem seguir a opinião de Bolsonaro, escolheria Itaim ou Palermo?

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