O rublo cai, o mercado de ações fecha e a economia da Rússia cambaleia sob sanções

No começo do dia a moeda russa perdeu até um quarto do seu valor em poucas horas

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Presidente da Rússia Vladimir V. Putin (Crédito: Thomas Kronsteiner/Getty Images)

O rublo caiu, o mercado de ações congelou e o público correu para sacar dinheiro nesta segunda-feira (28), quando as sanções ocidentais entraram em vigor e a Rússia acordou com a incerteza e o medo das repercussões que se espalham rapidamente da invasão da Ucrânia pelo presidente Vladimir V. Putin.

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Quando o dia começou, a moeda da Rússia perdeu até um quarto de seu valor em poucas horas. Lutando para conter o declínio, o Banco Central da Rússia mais que dobrou sua principal taxa de juros, proibiu os estrangeiros de vender títulos russos e ordenou que os exportadores convertessem em rublos a maior parte de suas receitas em moeda estrangeira. Fechou a bolsa de valores de Moscou por causa da “situação em desenvolvimento”.

“A realidade econômica, é claro, mudou”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri S. Peskov, a repórteres, anunciando que Putin convocou uma reunião de emergência com seus principais funcionários financeiros.

Mesmo enquanto as delegações russa e ucraniana se reuniam para conversar na fronteira com a Bielorrússia, a ofensiva militar de Moscou não dava sinais de abrandar, e as movimentações agitadas ofereciam os primeiros sinais de que as sanções impostas à Rússia pelo Ocidente no fim de semana estavam abalando os alicerces do governo russo. economia. As decisões dos Estados Unidos, Grã-Bretanha e União Europeia que restringem o acesso do Banco Central da Rússia a grande parte de seus US$ 643 bilhões em reservas em moeda estrangeira desfizeram grande parte dos cuidadosos esforços do Kremlin para amenizar o impacto de possíveis sanções.

E com dezenas de países fechando seu espaço aéreo para aviões russos, grandes investidores estrangeiros se retirando e o Ocidente colocando restrições debilitantes aos maiores bancos da Rússia, estava ficando claro que a invasão da Ucrânia por Putin estava inaugurando um período de isolamento internacional para a Rússia invisível, desde a Guerra Fria.

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“Então, a Rússia se tornou a Venezuela ou ainda é o Irã?” o apresentador do programa matinal da estação de rádio Echo of Moscow, de tendência liberal, perguntou a um economista.

“Vamos passar pela fase do Irã”, respondeu Yevgeny S. Gontmakher, da Escola Superior de Economia de Moscou, referindo-se às sanções impostas ao Irã por causa de seus planos de enriquecimento de urânio, “mas o que acontecerá depois disso é difícil de dizer”.

Elvira Nabiullina, a amplamente respeitada governadora do Banco Central da Rússia, deveria falar ao público às 16h (horário de Moscou).

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No domingo (27), Putin chamou as sanções do Ocidente de “ilegítimas” em uma reunião televisionada com seu ministro da Defesa e alto comandante militar. O Sr. Putin então lhes disse para colocar o arsenal nuclear da Rússia em alerta máximo; alguns analistas temem que a instabilidade econômica da Rússia possa levar Putin a intensificar seu conflito com o Ocidente usando novas ameaças militares ou outros meios, como ataques cibernéticos.

Mas também havia uma extrema incerteza dentro da Rússia, à medida que o valor das economias das pessoas evaporava e as interconexões com o mundo ocidental que os russos tinham dado como certas nas últimas três décadas rapidamente se romperam. Não ficou imediatamente claro se a maioria dos russos culparia Putin pela crise ou se eles seguiriam pistas da propaganda do Kremlin e culpariam o Ocidente.

“Os tempos mudam, muita coisa aconteceu, mas uma coisa não mudou”, disse um repórter do canal de notícias estatal Rossiya 24 no domingo. “Quando uma Europa unida tentava destruir a Rússia, isso sempre acabava trazendo o resultado oposto.”

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“O Presidente discutiu a situação económica com o bloco económico e financeiro do Governo e o Banco Central.”

*Por – Anton Troianovski — The New York Times

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*Contribuição — Ivan Nechepurenko.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil