Em depoimento, Bolsonaro admite pedido de troca na PF

O presidente Jair Bolsonaro negou, em depoimento no inquérito da PF (Polícia Federal) na noite de quarta-feira (3), que interferiu na troca de comando da instituição

Em depoimento, Bolsonaro admite pedido de troca na PF
Presidente Jair Bolsonaro (Crédito: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prestou depoimento à PF (Polícia Federal) na noite de quarta-feira (3) no Palácio do Planalto. O inquérito apura se Bolsonaro teria supostamente tentado interferir na PF, depois de o ex-ministro Sérgio Moro dizer que o presidente o forçava a substituir o diretor-geral.

Publicidade

Quando questionado pelo delegado Leopoldo Soares Lacerda, Bolsonaro confirmou que, no meio de 2019, pediu ao ex-ministro da Justiça Sérgio Moro que promovesse a troca do diretor geral da PF, Maurício Valeixo.

Ainda de acordo com as informações do UOL, o presidente afirmou que não havia insatisfação com o trabalho de Valeixo, mas que o pedido foi feito porque avaliava que o ex-diretor tinha problemas no entendimento com o Executivo.

Disse ainda Bolsonaro que sua intenção com a alteração na direção geral da PF nunca foi obter informações privilegiadas sobre investigações nem interferir no trabalho da Polícia Judiciária, ou ter acesso a relatórios realizados pela Polícia Federal.

Em nota, Sérgio Moro afirmou que nunca defendeu eventual mudança na direção da PF, que não troca princípios por cargos, que as razões pela troca na Polícia Federal foram exibidas pelo próprio presidente na reunião ministerial realizada em 22 de abril de 2020.

Publicidade

Moro disse ter tentado evitar a troca de Valeixo da direção da PF, por ser seu homem de confiança, mas acabou pedindo demissão.

Quando anunciou a sua saída do governo, Moro, em entrevista, disse que Bolsonaro tentava interferir na PF. A declaração foi o que levou à abertura do inquérito.

Questionado também se o pedido para troca no comando da PF teria relação com eventual insatisfação sobre o trabalho da instituição na investigação do atentado à faca que sofreu durante a campanha de 2018, Bolsonaro declarou que apenas cobrou de Moro mais agilidade nas investigações.

Publicidade

Por outro lado, o advogado do ex-ministro Sérgio Moro, Rodrigo Sánchez Rios, publicou nota dizendo que a defesa de Moro ficou surpresa pela notícia de que o presidente prestou depoimento “sem que a defesa do ex-ministro fosse intimada e comunicada previamente, impedindo seu comparecimento a fim de formular questionamentos pertinentes, nos moldes do que ocorreu por ocasião do depoimento prestado pelo ex-ministro em maio do ano passado”.

A defesa de Moro ainda diz que “a adoção de procedimento diverso para os dois coinvestigados não se justifica, tendo em vista a necessária isonomia entre os depoentes”.