PF afirma que Bolsonaro teve uma atuação “direta e relevante” na desinformação sobre o sistema eleitoral

A informação consta em relatório enviado ao Supremo

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(Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil)

Nesta quinta-feira (16), a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o presidente Jair Bolsonaro (PL) atuou de maneira ”direta e relevante” na desinformação sobre o sistema eleitoral.

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A afirmação faz parte do relatório enviado ao STF que investiga fake news divulgadas pelo presidente contra as urnas eletrônicas.

A chefe do inquérito, delegada da PF Denisse Ribeiro, afirmou que o ”inquérito permitiu identificar a atuação direta e relevante do Exmo. Sr. Presidente da República Jair Messias Bolsonaro na promoção da ação de desinformação, aderindo a um padrão de atuação já empregado por integrantes de governos de outros países”.

A delegada ainda disse que ”a live presidencial foi realizada com o nítido propósito de desinformar e de levar parcelas da população a erro quanto à lisura do sistema de votação, questionando a correção dos atos dos agentes públicos envolvidos no processo eleitoral, ao mesmo tempo em que, ao promover a desinformação, alimenta teorias que promovem fortalecimento dos laços que unem seguidores de determinada ideologia dita conservado”.

A PF ressalta que os depoimentos colhidos “permitiram verificar que o processo de preparação e realização da live foi feita de maneira enviesada, isto é, procedeu-se a uma busca consciente por dados que reforçassem um discurso previamente tendente a apontar vulnerabilidades e/ou possíveis fraudes no sistema eleitoral, ignorando deliberadamente a existência de dados que se contrapunham a narrativa desejada, quase todos disponíveis em fontes abertas ou de domínio de órgãos públicos”.

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Os depoentes do inquérito foram o ministro da Justiça, Anderson Torres; o ministro da Secretaria-geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos; e o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem.

O relatório aponta que foram identificadas diversas inconsistências em pontos relevantes das declarações.

A delegada afirma que “convergem em apontar que houve vontade livre e consciente dos envolvidos em promover, apoiar ou subsidiar o processo de construção da narrativa baseada em premissas falsas ou em dados descontextualizados, divulgada na live do dia 29 de julho de 2021″ .

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