Alisa Ghazaryan estava igualmente animada e nervosa para começar seu primeiro ano na universidade em Estepanaquerte – oficialmente conhecida como Canquendi – após se mudar de sua vila de origem, em Nagorno-Karabakh. Logo que o semestre começou, porém, forças militares do Azerbaijão começaram a bombardear a cidade no dia 19 de setembro.
Enquanto os militares realizavam o que chamam de “operação antiterrorista”, a jovem de 18 anos refugiou-se no porão da universidade. “Eu nasci lá, cresci lá”, disse Alisa sobre sua casa. “Quando estava lá, me sentia completamente livre.”
Até recentemente, Nagorno-Karabakh, um enclave montanhoso há muito conturbado, era o lar de cerca de 120 mil pessoal de origem armênia que dominavam a região. Desde a operação ordenada por Baku (capital do Arzebaijão), mais de 100 mil pessoas, incluindo Alisa, fugiram para a Armênia.
Apesar das garantias do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, de proteger seus direitos civis, muitos dizem temer perseguição após anos de desconfiança mútua e ódio declarado entre o país e a Armênia. As informações são da emissora Al Jazeera.
De acordo com oficiais de origem armênia, pelo menos 200 pessoas foram mortas durante o ataque de Baku, incluindo dez civis, e mais de 400 ficaram feridas. O governo do Azerbaijão minimizou as alegações sobre mortes de civis, mas reconheceu a possibilidade de “danos colaterais“.
O país, que informou que 192 de seus soldados morreram na operação, alegou que o ataque tinha o objetivo de “desarmar os separatistas de origem armênia na região” – que agora, em partes, parece uma cidade fantasma.
O ataque ocorreu após um bloqueio de dez meses imposto pelo Azerbaijão, após ter fechado o corredor de Lachin para a Armênia, impedindo o fluxo de alimentos, combustível e medicamentos. Baku acusou a Armênia de enviar armas para os separatistas através da estrada sinuosa da montanha, alegação que foi negada por ambas as partes.
O governo local não-reconhecido se rendeu após 24 horas de combates. Aliyev disse que o seu “punho de ferro” restaurou a soberania do Azerbaijão. No final do mês passado, as autoridades de origem armênia em Nagorno-Karabakh afirmaram que a região deixará de existir como uma república separatista autoproclamada no dia 1º de janeiro do próximo ano.