Diante da pressão estrangeira, os russos se unem em torno de Putin

83% dos russos disseram que aprovam as ações de Putin

Diante da pressão estrangeira, os russos estão se unindo em torno de Putin. Os índices de aprovação do presidente Vladimir Putin atingiram níveis nunca vistos em anos, de acordo com uma pesquisa independente divulgada nesta quinta-feira (31). Enquanto isso, muitos russos se mobilizam em torno da bandeira diante da crescente pressão internacional.

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83% por cento dos russos disseram que aprovam as ações de Putin e eram 69% por cento em janeiro, de acordo com uma pesquisa do Levada Center, um instituto independente em Moscou. As classificações de muitas outras instituições governamentais, bem como do partido governista, também subiram, segundo a pesquisa.

Alguns observadores acreditam que as pesquisas na Rússia não refletem a opinião pública com precisão, com muitas pessoas dando respostas que acreditam serem socialmente aceitáveis, mas são amplamente consideradas ferramentas úteis para avaliar a dinâmica do humor das pessoas.

Muitos russos vivem em um mundo, como apresentado pela mídia estatal, onde não há guerra com a Ucrânia. Em vez disso, seu país está realizando “uma operação militar especial” para erradicar extremistas de extrema direita em um país irmão que saiu dos trilhos e foi pressionado pelos países ocidentais a se voltar contra Moscou.

O Kremlin silenciou a maioria da mídia independente na Rússia, forçando alguns a fugir ou suspender as operações. A Rússia bloqueou o acesso a plataformas de mídia social, incluindo o Facebook, e os principais meios de comunicação estrangeiros, e promulgou uma lei para punir qualquer pessoa que divulgue “informações falsas” sobre a invasão da Ucrânia com até 15 anos de prisão. Milhares foram presos nas últimas semanas em protestos contra a guerra, de acordo com ativistas de direitos humanos.

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A pesquisa da Levada, que foi declarada “agente estrangeiro” na Rússia, foi realizada com mais de 1.600 pessoas em todo o país, com margem de erro não superior a 3,4 pontos percentuais.

Denis Volkov, diretor do Levada, disse que os sentimentos iniciais de “choque e confusão” que muitos russos sentiram no início da invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro estavam sendo substituídos pela crença de que a Rússia está sitiada e que seu povo deve se unir ao seu líder.

“O confronto com o Ocidente consolidou as pessoas”, disse Volkov, acrescentando que alguns entrevistados disseram que, embora geralmente não apoiassem Putin, agora era a hora de fazê-lo.

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De acordo com essa linha de pensamento, disse ele, as pessoas acreditam que “todos estão contra nós” e que “Putin nos defende, senão seríamos comidos vivos”.

Volkov comparou o clima predominante na Rússia com as consequências da anexação da Crimeia em 2014, embora tenha dito que o sentimento nacional hoje era muito mais sombrio. “Não há euforia, porque desta vez a situação é muito mais grave e difícil. Há vítimas, e não está claro quando tudo terminará.”

*Por – Ivan Nechepurenko — The New York Times

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*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil