ATAQUE A CRISTINA KIRCHNER

Grupo ligado a Brenda Uliarte disse que recebeu dinheiro de empresa

O grupo de extrema-direita é investigado pela tentativa de assassinato do vice-presidente.

Grupo ligado a Brenda Uliarte disse que recebeu dinheiro de empresa
(Reprodução: Twitter)

Jonathan Morel, líder da organização “Revolución Federal”, grupo de extrema-direita ligada a Brenda Uliarte, namorada do brasileiro agressor de Cristina Kirchner, disse que recebeu dinheiro de um grupo empresarial para financiar o plano de ataque à vice-presidente.

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O fundador e porta-voz do grupo, em diálogo com o portal argentino Página12, afirmou ter recebido uma quantia milionária de uma empresa ligada a duas pessoas próximas ao ex-presidente Mauricio Macri, seu amigo Nicolás Caputo e seu primo, Luis, que foi secretário da Fazenda durante sua administração no Poder Executivo.

A descoberta aconteceu pouco depois de os advogados de Cristina Kirchner, José Manuel Ubeira e Gregorio Dalbón , afirmarem que “existia uma organização” por trás do ataque que inclui supostos financiadores de “grupos de ódio”, incluindo o próprio Caputo.

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Hipóteses

O ataque contra a vice-presidente nas imediações de seu apartamento em Recoleta, bairro de Buenos Aires, levantou muitas questões. Entre elas, a hipótese de que os acusados ​​do ato, Fernando Sabag Montiel, Brenda Uliarte e Agustina Díaz, não teriam agido sozinhos, e foram apoiados por organizações, como a “Revolución Federal”, cujo financiamento está sob olhar judicial. 

Enquanto isso, Jonathan Morel afirmou ter recebido 1.760.000 pesos do Grupo Caputo, algo que foi negado pela empresário.

“Eu fiz algumas escrituras de emissão. Não tinha como saber quem estava por trás disso”, disse Morel, acrescentando que trocou e-mails “que mencionaram Caputo Hermanos”.

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Por sua vez, o militante de 23 anos disse ser dono de uma marcenaria que realizou obras de reforma de um hotel em Neuquén, o qual  a empresa de Caputo estaria envolvida na construção. “Quando estava em Neuquén, descobri quem era Caputo e depois contei ao meu colega de trabalho”, acrescentou.

“Estou calmo, mas sabia que isso ia acontecer. Tudo leva a você, mas são apenas coincidências. Se eu quisesse fazer algo, não teria sido tão descuidado”, defendeu-se Morel.

A equipe de Nicolás Caputo negou categoricamente ter obras naquela província e, portanto, separou o vínculo com o jovem carpinteiro e fundador do grupo de extrema-direita investigado pela Justiça na causa do atentado contra Cristina Kirchner. “Ele não tem hotel nem trabalha em Neuquén, nem tem uma empresa chamada irmãos Caputo “, especificou a fonte à Perfil Argentina.

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No entanto, a empresa “Caputo Hermanos” está inscrita na atividade de promoção imobiliária com sede em San Isidro, coincidindo com a zona onde se instalaria a carpintaria Morel, segundo a investigação jornalística. Enquanto isso, a empresa estaria ligada não a Nicólas, mas a Luis, ex-secretário de finanças de Macri. 

Revolución Federal

O grupo de extrema-direita virou assunto público depois que Brenda Uliarte, presa pela tentativa de assassinato, publicou uma imagem em que é vista na marcha convocada pelo grupo. No entanto, eles afirmam não ter visto Brenda.

Além disso, o grupo se colocou à disposição da Justiça mandando uma mensagem em que “reivindicaram o ataque”. Segundo o próprio Morel, a advogada Gladys Egui, defensora do companheiro de militância de Morel,  Leonardo Sosa, que mora com a polêmica vizinha de Cristina Kirchner,  Ximena de Tezanos Pinto, foi a responsável por apresentar as provas.

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