Conflito Rússia X Ucrânia

Software alemão desconecta seus negócios na Rússia

Enquanto a SAP toma medidas para encerrar seus serviços de nuvem na Rússia, a Continental disse que foi obrigada a reiniciar “temporariamente” uma fábrica de pneus russa.

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SAP (Crédito: Thomas Lohnes/Getty Images)

Nos dias após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a gigante alemã de software SAP interrompeu todas as suas vendas na Rússia. Mas, provocou a ira dos líderes ucranianos, continuando a oferecer atualizações e acesso à computação em nuvem para clientes russos que não são alvo de sanções ocidentais.

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Esta semana, a SAP, que fabrica software de negócios para lidar com tarefas como logística e contabilidade, anunciou que estava dando os passos finais para uma “saída ordenada” de suas operações na Rússia, um processo que disse ter sido dificultado pela preocupação com os funcionários e leis russas que proibiam a rescisão unilateral de contratos.

“Não estamos no negócio do consumidor – vendemos soluções de software muito complexas”, disse Luka Mucic, diretor financeiro da SAP, explicando o que chamou de “complexidade significativa” de encerrar três décadas de negócios no país.

A declaração da SAP foi além de seus anúncios anteriores desde a invasão, observando sua “intenção” de parar de oferecer suporte e manutenção de seus produtos. A retirada pode corroer as operações de computadores de back-office em muitas empresas russas, incluindo a estatal Sberbank, a maior instituição financeira da Rússia. Em 2018, a SAP criou o que chamou de “o maior projeto de nuvem da Rússia” para gerenciar os 230.000 funcionários do Sberbank.

A saída planejada da SAP segue a de outras empresas alemãs como a Henkel, fabricante de produtos de limpeza doméstica e cuidados com os cabelos, a provedora de rede Deutsche Telekom e a rede de melhorias domésticas Obi. Ainda assim, outros permanecem na Rússia e enfrentam decisões difíceis à medida que a guerra se estende para sua próxima fase.

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Entre eles está o fornecedor automotivo Continental, que disse nesta quarta-feira (20) que foi forçado a reiniciar temporariamente a produção em sua fábrica de pneus em Kaluga, nos arredores de Moscou.

A Continental disse que apoia as sanções econômicas contra a Rússia. A empresa interrompeu sua produção no país no início de março, dias após a invasão.

Mas, a empresa disse que agora enfrenta leis russas cada vez mais punitivas em relação a empresas estrangeiras e foi obrigada a reiniciar a fábrica para produzir pneus de carro para o mercado russo.

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“Estamos fazendo isso temporariamente porque queremos proteger nossos funcionários”, disse Birgit Hiller, porta-voz da empresa. “Não teremos lucro”.

Obrigações legais também tornaram mais difícil para a SAP encerrar seus negócios na Rússia, disse a empresa. A SAP interrompeu todas as vendas na Rússia e na Bielorrússia em 2 de março. Três semanas depois, começou a encerrar ativamente as operações de nuvem da empresa no país.

Naquela época, os serviços em nuvem para clientes que estavam sob sanções foram interrompidos. Outros clientes tiveram a opção de ter seus dados devolvidos, excluídos ou movidos para um servidor fora do país. Essa oferta foi recebida com acusações de que a SAP estava apoiando empresas que realizaram o assassinato na Ucrânia.

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No mês passado, o presidente Volodymyr Zelensky da Ucrânia criticou SAP, Oracle e Microsoft em uma mensagem no Twitter por apoiar “o maldito agressor russo”. Foi a primeira vez que ele nomeou diretamente empresas multinacionais. “Pare de apoiar seus produtos na Rússia, pare a guerra!”.

A SAP disse na terça-feira (19) que, embora não pudesse impedir que nenhum ex-cliente continuasse a usar seu software, a empresa era legalmente obrigada a fornecer aos usuários não sancionados opções para lidar com seus dados. “Os dados nos data centers pertencem aos clientes, não à SAP”, afirmou.

Se as empresas optarem por fazer com que a SAP mova seus dados para um servidor em nuvem fora da Rússia, disse a SAP, não renovará seu contrato.

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“A SAP continua solidária com o povo da Ucrânia.”

*Por – Melissa Eddy — The New York Times

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasi