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A (turbulenta) ida do ex-ministro Pazuello à CPI da Pandemia

Pazuello respondeu a todas as perguntas dos senadores – questões sobre cloroquina, aconselhamento paralelo, colapso em Manaus e a ausência de máscara em um shopping

A (turbulenta) ida do ex-ministro Pazuello à CPI da Pandemia
Ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello (Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Por Lilian Coelho

Um depoimento bastante esperado. Dos dois lados, base governista e oposição, afiados, com dados nas mãos e perguntas na ponta da língua. Embates e interrupções causaram a suspensão da sessão por alguns minutos. No primeiro dia (quarta-feira, dia 19 de maio) Pazuello teve um mal estar. Foi atendido pelo Senador Otto Alencar(PSD-BA), que é médico.  16 horas de fala, dividida em dois dias. 

Para o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), Pazuello foi o recorde de inverdades entre os depoentes. O relator afirma que o ex-ministro mentiu por, pelo menos, 14 vezes.

Em entrevista exclusiva ao Grupo Perfil Brasil, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que causou estranheza um fato específico: 

“Pazuello veio à CPI protegido por um Habeas corpus…Pensamos que era pra ele…. Mas, era para defender terceiros… No caso, o presidente da República.”

Ao ex-ministro, afirmou: “Seria melhor o senhor colaborar mais diretamente com esta Comissão Parlamentar de Inquérito porque ficou claro aqui de quem foi a responsabilidade sobre toda essa tragédia que estamos vivendo”.

Pazuello foi confrontado quanto ao contrato com a Pfizer. No depoimento de Carlos Murillo, presidente da empresa no Brasil na época das negociações, suas tentativas de aproximação foram ignoradas. O governo sequer respondeu às mensagens.

A CPI adquiriu uma carta que foi enviada ao governo brasileiro no dia 10 de setembro pedindo celeridade na aquisição de vacinas. O ex-chanceler Ernesto Araújo, em depoimento aos senadores, confirma que ignorou o documento – por achar que o Presidente Bolsonaro já estava ciente. 

Para o vice-presidente da comissão, “houve negligência”. 

E ele vai além: “Ficou mais claro ainda que o Governo teve 11 oportunidade de aquisição de vacinas. E se negou a dar andamento”, afirma Randolfe.

Para o senador, ocorreu grave omissão do governo brasileiro na crise de oxigênio em Manaus, que ampliou dramaticamente o número de mortos… Colapso que já havia sido revelado ao Governo no dia 7 de janeiro. Para Pazuello, a culpa pelo colapso foi da Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas. Uma acareação com o Secretário de Saúde do Amazonas pode acontecer, no decorrer da CPI. 

Pazuello informou, ainda, que “o governo federal não iria intervir na saúde pública do Amazonas, mesmo diante da situação difícil que o Estado enfrentava.” 

“A intervenção não foi feita porque chegou-se à conclusão de que o governo do estado tinha condições de continuar à frente da saúde”, disse o ex-ministro. “A argumentação, em tese, é que o estado tinha condição de continuar fazendo a resposta”, disse Pazuello. “Em tese, mas a argumentação eu não tenho aqui. O resumo é que tinha condição de continuar fazendo frente à missão”, disse Pazuello.

O vice-presidente da Comissão afirmou que “todos os fatos apontam para o presidente da República”. Randolfe pediu a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do ex-ministro por causa de uma denúncia de contratações sem licitação de empresas para reformar prédios antigos. A pandemia foi usada como justificativa para considerar as obras urgentes. O pedido será analisado por integrantes da CPI.

Na próxima semana, será a vez da secretária de Gestão de Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro, que foi citada várias vezes pelo ex-ministro Pazuello.