Maioria em consulta pública é contra receita médica para vacinar crianças

Os resultados da pesquisa foram anunciados pela secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo

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(Crédito: Ascom/SMS)

Nesta terça-feira (4), o governo federal informou que a maioria das pessoas que responderam à consulta pública sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 anos foi contra a necessidade de prescrição médica para a imunização.

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Os resultados da pesquisa foram anunciados pela secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, durante uma audiência pública.

O governo também ressaltou que a maioria das pessoas foi contra obrigatoriedade da vacinação nessa faixa etária.

Contudo, a consulta não permitia que as pessoas se manifestassem a favor dessa obrigatoriedade. O levantamento não continha nenhuma pergunta que questionasse se as pessoas eram a favor da vacinação obrigatória.

Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que já haviam recomendado a vacina, não participaram da reunião.

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Audiência pública

Sociedades médicas e científicas participaram da audiência e defenderam a vacinação de crianças de 5 a 11 anos.

Marco Aurélio Sáfadi, médico da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), lembrou que outras doenças, cujas imunizações estão no calendário de vacinação infantil, mataram menos crianças do que a Covid-19.

“O objetivo da vacinação é prevenir hospitalizações e complicações da doença. É isso que se propuseram as iniciativas dos programas de vacinação: prevenir hospitalizações e mortes”, reforçou Marco.

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Além da vacinação, a infectologista Rosana Richtmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), defendeu a não exigência de receita médica para vacinação das crianças.

“Tenho experiência com atividade social, com a população ribeirinha na Amazônia. Como é que você vai vacinar as crianças da Amazônia precisando de prescrição médica? Isso, na minha opinião, vendo o país como um todo, é uma barreira muito grande para a implantação desta vacinação”, afirmou Rosana.

Incerteza sobre o número de respostas

Rosana Leite de Melo afirmou que 99.309 pessoas responderam à consulta no site do ministério. Entretanto, na véspera da audiência, o Ministério da Saúde informou que recebeu cerca de 24 mil respostas.

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A dúvida sobre a quantidade exata de respostas se deve ao fato de que, inicialmente, as respostas estavam sendo recebidas em uma plataforma de formulários da Microsoft. Porém, a plataforma esgotou sua capacidade de recebimento de respostas.

Depois disso, o Ministério da Saúde criou uma nova página para a consulta no site oficial do governo, que recebeu 23.911 respostas.

A consulta feita pelo ministério foi bastante criticada por especialistas e técnicos da Anvisa. O Brasil tem cerca de 20,5 milhões de crianças de 5 a 11 anos de idade, segundo o IBGE.

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